Dólar cai e Bolsa sobe após Trump adiar ataques ao Irã e sinalizar negociações
Dólar cai e Bolsa sobe após Trump adiar ataques ao Irã

Mercados reagem com alívio após anúncio de Trump sobre adiamento de ataques ao Irã

O dólar apresentou uma queda significativa de mais de 1% nesta segunda-feira (23), enquanto a Bolsa de Valores brasileira registrou forte alta, em um movimento inverso ao observado na sexta-feira anterior. Essa reversão ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o adiamento por cinco dias de ataques planejados contra usinas de energia do Irã e mencionar a possibilidade de negociações com o país.

Queda do dólar e alta da Bolsa refletem desescalada de tensões

Às 15h, a moeda norte-americana cedia 1,60%, sendo cotada a R$ 5,227, acompanhando o movimento de baixa do petróleo no mercado internacional. No mínimo do pregão, o dólar chegou a R$ 5,215, representando uma queda de 1,80%. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançava 3,28%, alcançando 182.014 pontos, em meio a um maior apetite global por ativos de risco. Em seu pico, o avanço foi de 3,77%.

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários também registravam altas consistentes. O Dow Jones, o Nasdaq e o S&P 500 subiam em bloco, com ganhos de até 1,82%. Esse cenário contrasta fortemente com o da sexta-feira, quando o dólar disparou 1,81%, cotado a R$ 5,311, e a Bolsa brasileira tombou 2,24%, fechando a 176.219 pontos.

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Declarações de Trump trazem alívio imediato aos mercados

Em uma publicação na rede social Truth Social, Donald Trump afirmou que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares por cinco dias. Ele também revelou que os Estados Unidos e o Irã tiveram conversas "muito boas e produtivas" nos últimos dois dias sobre uma "resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio". O presidente americano disse a jornalistas que está conversando com uma autoridade iraniana que não seria o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e instou o país a parar de enriquecer urânio.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a recente declaração de Trump trouxe um alívio imediato aos mercados por sinalizar uma desescalada no conflito. "Isso ajudou a conter a disparada do petróleo, que vinha pressionando as Bolsas. Há diminuição no sentimento de risco e nos temores de interrupção na oferta de energia", explicou.

Petróleo despenca mais de 13% com anúncio de possível trégua

O anúncio do adiamento dos ataques levou o preço do petróleo a despencar mais de 13%, chegando a US$ 91,89 (R$ 488,12) por volta das 8h (horário de Brasília). Antes disso, o barril Brent vinha oscilando entre US$ 105 e US$ 109, com uma máxima de US$ 109,68 (R$ 582,62) às 5h15. O movimento de queda foi rápido após o comunicado de Trump por volta das 7h.

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, comentou: "O mercado deu uma boa recuperada, já que passou a apostar mais em vias diplomáticas para solucionar o conflito. Principalmente por causa do escoamento de petróleo, que costuma deixar os mercados muito tensos, já que pressiona bastante a inflação. Nas últimas semanas, o mercado vinha precificando juros mais altos por mais tempo justamente por essa pressão inflacionária".

Contexto de tensão recente e impactos nos mercados

Nas últimas semanas, a tensão entre EUA, Israel e Irã afetou significativamente os mercados acionários, provocando uma busca por ativos de segurança. Esse comportamento, conhecido como "fuga para qualidade", fez com que ativos como dólar e renda fixa se valorizassem. Para se ter uma noção, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de seis moedas fortes, registra alta de 1,50% desde que a guerra no Oriente Médio começou. Em contrapartida, o Ibovespa registra recuo de 3,6% no mesmo período.

Além disso, havia um temor generalizado de que a inflação subisse ainda mais caso o conflito se prolongasse e as cotações do petróleo permanecessem em alta. Os preços da commodity haviam disparado após o fechamento do estreito de Hormuz, localizado na fronteira do Irã e por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo.

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Reação iraniana e movimentos no mercado brasileiro

Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do Irã afirmou que Trump só quer ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo. No entanto, confirmou que há "iniciativas para reduzir a tensão", mas que Teerã só aceitará propostas dos Estados Unidos diretamente.

No Brasil, a agenda do dia foi esvaziada de indicadores econômicos relevantes. Às 10h30, o Banco Central realizou um leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de US$ 2 bilhões, para rolagem do vencimento de 2 de abril. Do total, US$ 1,8 bilhão foi vendido. Esses leilões são intervenções do BC no câmbio que, na prática, servem para aumentar a quantidade de dólares disponíveis para os investidores, seguindo a lei da oferta e demanda.

Outro destaque foi a suspensão de operações no Tesouro Direto na abertura do mercado, medida tomada para conter a forte volatilidade de títulos. A plataforma ficou fora do ar até às 11h15 desta segunda-feira.

Impacto nas taxas de juros e expectativas do mercado

Na sexta-feira (20), a escalada da tensão entre EUA e Israel contra o Irã fez com que os juros futuros subissem. Porém, nesta segunda, com a sinalização de uma possível trégua, o movimento se inverteu. Por volta das 13h, na curva de juros, o contrato para janeiro de 2028 recuava de 14,122% do ajuste da sessão anterior para 13,900%, uma queda de 22 pontos-base. Já para janeiro de 2035, o recuo era de 19 pontos-base, passando de 14,040% para 13,850%. Esses números indicam que o mercado começa a precificar juros menores no futuro, refletindo o alívio com a possibilidade de resolução diplomática do conflito.