O dólar registra queda nesta sexta-feira (17), refletindo o otimismo dos investidores com a possibilidade de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Às 13h17, a moeda norte-americana caía 0,23%, cotada a R$ 4,980, após atingir a mínima do dia de R$ 4,950. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis divisas fortes, recuava 0,27%, a 97,94 pontos.
Impacto da reabertura do Estreito de Hormuz
O ministério de Relações Exteriores do Irã anunciou, pelo horário de Brasília, a reabertura do Estreito de Hormuz, via marítima por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito. "A passagem de todos os navios comerciais pelo estreito de Hormuz foi declarada totalmente aberta para o período restante do cessar-fogo", afirmou Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em post na rede social X.
O ministro não deixou claro se o cessar-fogo se referia ao acordo entre Israel e Líbano, que começou às 0h do Líbano (18h de Brasília na quinta-feira) e deve se estender até 26 de abril, ou ao pacto entre EUA e Irã, iniciado em 7 de abril e com término previsto para 21 deste mês.
Reações internacionais e bloqueio naval
A decisão foi elogiada por Donald Trump, que escreveu "OBRIGADO!" na plataforma Truth Social. Contudo, o presidente norte-americano afirmou que o bloqueio naval dos EUA continuará valendo para navios com petróleo do Irã enquanto um acordo não estiver fechado. As negociações poderão ser retomadas já neste final de semana.
O tráfego por Hormuz é uma das questões mais sensíveis do conflito. O Irã usou o controle militar sobre a via para pressionar economicamente Trump, e os gargalos na cadeia energética global levaram à disparada do preço do petróleo para perto de US$ 120 o barril, o dobro da previsão para a commodity neste ano antes do conflito.
Efeitos no mercado financeiro
A reabertura da via marítima animou o mercado. Os preços do barril do Brent estão em queda de mais de 10% e chegaram a ser negociados abaixo de US$ 90, o menor valor em um mês. "Os comentários do ministro das Relações Exteriores do Irã indicam uma desescalada enquanto o cessar-fogo estiver em vigor. Agora precisamos ver também se o número de navios-tanque que cruzam o estreito aumenta substancialmente", disse o analista do UBS Giovanni Staunovo.
Ainda nesta sexta, a consultoria Kpler, referência no monitoramento de tráfego marítimo, informou à agência France Presse que três petroleiros iranianos conseguiram furar o bloqueio naval, levando 5 milhões de barris de óleo para fora do golfo Pérsico na quarta-feira (15).
Cenário geopolítico e movimentos da Bolsa
O cenário geopolítico foi o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nesta semana. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.
Nesta sexta, o sentimento do mercado é de cautela, segundo Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, mas "investidores estão mantendo apetite por risco". "Apesar das incertezas nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, que segue como ameaça à indústria petrolífera global, o fluxo de recursos externos para o Brasil permanece positivo", acrescentou.
A queda do petróleo, porém, afeta fortemente as empresas petroleiras com negócios na Bolsa. Nesta manhã, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras caíam 6,4% e 6,8%, respectivamente, cotadas a R$ 45,47 e R$ 50. Prio perdia 7,19%, seguida por Brava (6%) e PetroRecôncavo (3,4%).
A Bolsa de Valores registrava perdas de 0,31%, a 196.193 pontos, pressionada pelo tombo do setor petroleiro em meio à queda do barril do petróleo Brent no exterior. A situação ilustra a volatilidade dos mercados diante de desenvolvimentos geopolíticos cruciais.



