Dólar inicia em alta, mas inflação e tensões geopolíticas dominam o cenário
O dólar começou a sessão desta segunda-feira (13) com uma valorização de 0,50%, cotado a R$ 5,0363. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, aguardava sua abertura às 10h. Os mercados financeiros reagem intensamente aos novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que tem gerado incertezas e volatilidade em escala global.
Bloqueio naval e impacto no petróleo
As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram um bloqueio aos portos iranianos a partir das 11h (horário de Brasília), uma medida que segue o fracasso das negociações de paz entre Irã e EUA durante o fim de semana. Em resposta, dois petroleiros associados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico, enquanto outras embarcações passaram a evitar o estratégico Estreito de Ormuz. Essa decisão abalou significativamente o mercado de transporte marítimo em uma das principais rotas do comércio mundial.
Por volta das 9h07 (horário de Brasília), o petróleo Brent subia impressionantes 7,67%, negociado a US$ 102,50 por barril, e o WTI avançava 7,83%, para US$ 104,13. O anúncio do bloqueio naval pelo ex-presidente Donald Trump, após um cessar-fogo instável, elevou os temores de uma nova escalada militar, pressionando os preços do combustível.
Inflação brasileira em destaque
No Brasil, o foco recaiu sobre o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira. O relatório apontou que a expectativa para a inflação em 2026 superou o teto da meta, refletindo preocupações decorrentes da guerra no Oriente Médio. A projeção para o IPCA deste ano subiu para 4,71%, ante 4,36% anteriormente, marcando a quinta alta consecutiva.
Investidores também acompanham de perto as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em encontros do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esses pronunciamentos são cruciais para entender as futuras diretrizes da política monetária brasileira.
Dados econômicos e desempenho dos mercados
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% em março, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,14%. Esse resultado superou as expectativas dos economistas, que projetavam 0,7% no mês e 4% no acumulado anual. O grupo de Transportes foi o maior responsável pela pressão, com alta de 1,64%, impulsionado principalmente pelo aumento de 4,59% nos combustíveis.
Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor caiu para 47,6 em abril, o menor nível já registrado, refletindo uma percepção negativa da economia e expectativas de inflação mais altas. A expectativa de inflação para os próximos 12 meses subiu de 3,8% para 4,8%, enquanto a projeção para cinco anos passou de 3,2% para 3,4%.
Mercados globais em movimento
Em Wall Street, as bolsas fecharam sem uma direção única. O Dow Jones recuou 0,56%, o S&P 500 teve perdas de 0,12%, mas o Nasdaq avançou 0,35%. Na Europa, o STOXX 600 subiu 0,37%, enquanto o CAC 40 da França avançou 0,17%. Na Alemanha, o DAX caiu 0,01%, e o FTSE 100 do Reino Unido teve baixa de 0,03%.
Nas bolsas asiáticas, os mercados fecharam majoritariamente em alta. O Hang Seng de Hong Kong subiu 0,55%, o SSEC de Xangai avançou 0,51%, e o CSI300 teve alta de 1,54%. No Japão, o Nikkei avançou 1,84%, e na Coreia do Sul, o Kospi valorizou 1,40%.
Os acumulados do dólar mostram queda de 2,87% na semana, 3,23% no mês e 8,70% no ano. Já o Ibovespa acumula alta de 4,93% na semana, 5,26% no mês e 22,47% no ano, demonstrando a resiliência do mercado brasileiro diante das turbulências internacionais.



