Copom mantém Selic em 15% e projeta início de corte em março
O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, em reunião unânime nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. No entanto, o órgão anunciou que deve iniciar um ciclo de flexibilização monetária em sua próxima reunião, marcada para o dia 18 de março.
Decisão influenciada por incertezas externas e cenário doméstico
A decisão do Copom foi tomada em um contexto de ambiente externo incerto, especialmente devido à conjuntura econômica e política nos Estados Unidos. O Federal Reserve, o banco central americano, também deu uma pausa na queda dos juros, mantendo-os entre 3,50% e 3,75%, e sinalizou possíveis cortes adicionais ao longo do ano, mesmo sob pressões do presidente Donald Trump.
Essa situação levou o Copom a adotar uma postura conservadora, justificando que "tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica". O comitê, presidido por Gabriel Galípolo e composto por seis diretores, votou de forma unânime pela manutenção da taxa.
Inflação e expectativas ainda acima da meta
No cenário doméstico, o Copom observou que os indicadores econômicos mostram uma trajetória de moderação no crescimento, enquanto o mercado de trabalho continua resiliente. A inflação, tanto a cheia quanto as medidas subjacentes, apresentou arrefecimento nas divulgações recentes, mas permanece acima da meta estabelecida.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, estão em 4,0% e 3,8%, respectivamente, valores superiores à meta. A projeção do Copom para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante para a política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.
Riscos inflacionários e estratégia de cautela
O comitê destacou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta, estão:
- Desancoragem das expectativas de inflação por período prolongado.
- Maior resiliência na inflação de serviços devido a um hiato do produto mais positivo.
- Conjunção de políticas econômicas externa e interna com impacto inflacionário maior que o esperado.
Já os riscos de baixa incluem:
- Desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada que a projetada.
- Desaceleração global decorrente de choques de comércio e maior incerteza.
- Redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Copom reiterou que segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica afetam a política monetária. A postura de cautela é reforçada em um cenário de "expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho".
Flexibilização prevista para março
A decisão de manter a Selic em 15% é vista como compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante. Além de assegurar a estabilidade de preços, essa medida também visa suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
O Copom avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada, mas em um ambiente de inflação menor e com transmissão da política monetária mais evidente, há espaço para a calibração do nível de juros. Por isso, o comitê antevê, confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião.
No entanto, o órgão reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta, com serenidade quanto ao ritmo e magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Copom: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.