Copom decide hoje sobre taxa de juros: expectativa é manutenção da Selic em 15% ao ano
Copom decide hoje: Selic deve ficar em 15%, maior patamar em 20 anos

Copom se reúne nesta quarta-feira para decisão sobre taxa de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil realiza sua reunião nesta quarta-feira, dia 28, com o anúncio da decisão sobre a taxa básica de juros previsto para após as 18h. A expectativa dominante no mercado financeiro é de que o comitê mantenha a taxa Selic inalterada em 15% ao ano, o que representaria o maior patamar em quase duas décadas.

Quinta manutenção consecutiva e perspectivas futuras

Se confirmada a manutenção, esta será a quinta decisão seguida em que o Copom deixa a Selic no mesmo nível. A taxa básica de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias, que impactam especialmente a população de menor renda.

Segundo projeções dos economistas do mercado financeiro, o início do ciclo de redução da Selic deve ocorrer somente em março deste ano, quando a taxa cairia para 14,5% ao ano. Até lá, o BC deve manter sua postura cautelosa, avaliando indicadores econômicos antes de qualquer movimento de flexibilização.

Como funciona a política monetária do Banco Central

O Banco Central atua com base no sistema de metas de inflação para definir os juros. Quando as projeções de inflação estão alinhadas com as metas estabelecidas, há espaço para reduzir a Selic. Caso contrário, o Copom tende a manter ou até elevar a taxa básica.

Desde o início de 2025, com a implementação do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3%, considerando-se cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. É importante destacar que o BC olha para as projeções futuras de inflação, e não para a variação recente dos preços, pois as mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para surtir efeito pleno na economia.

Desaceleração econômica como estratégia anticíclica

O Banco Central tem sido claro ao afirmar que uma desaceleração do ritmo de crescimento da economia faz parte da estratégia para conter a inflação no país. Com um crescimento mais moderado, diminuem as pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços.

Na ata da última reunião do Copom, divulgada em dezembro do ano passado, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo, indicando que a economia continua operando acima do seu potencial sem gerar pressões inflacionárias significativas.

Análises e expectativas dos especialistas

Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, avalia que o Copom deve adotar uma postura conservadora e cautelosa em janeiro, mantendo a Selic em 15% ao ano.

"O comitê tem atuado de uma forma muito técnica, o que é positivo, e a manutenção vem em linha com os dados de atividade econômica divulgados na semana passada", declarou Santos, destacando ainda o mercado de trabalho aquecido e o desemprego em níveis mínimos.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também prevê a manutenção do juro em 15% ao ano nesta quarta-feira. Segundo ele, o BC deve aguardar uma confirmação mais sólida dos sinais observados nos indicadores econômicos antes de iniciar o processo de corte da taxa Selic.

"Apesar da melhora gradual do quadro inflacionário, entendemos que o Comitê deve privilegiar uma condução prudente, assegurando que o início do ciclo de cortes ocorra em um ambiente mais consolidado", afirmou Sung, enfatizando a importância da ancoragem das expectativas em relação às metas inflacionárias.

A decisão do Copom será acompanhada de perto por investidores, empresários e consumidores, uma vez que a taxa de juros influencia diretamente o custo do crédito, os investimentos e o poder de compra da população brasileira.