BTG responde a críticas do Itaú sobre distribuição de CDBs do Banco Master
BTG responde a críticas do Itaú sobre CDBs do Master

Resposta do BTG às críticas do Itaú sobre distribuição de CDBs do Banco Master

Em um momento de tensão no setor financeiro brasileiro, o CFO do BTG Pactual, Renato Cohn, se pronunciou publicamente sobre as recentes críticas feitas pelo CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, em relação à distribuição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva com a imprensa nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, e trouxe à tona um debate crucial sobre práticas de investimento e regulamentação no mercado.

Condenação ao uso do FGC pelo Banco Master

Renato Cohn foi enfático ao condenar o uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como tese central do modelo de negócios do Banco Master. Segundo o executivo, o banco de Daniel Vorcaro abusou desse instrumento, uma prática que, em sua visão, deveria ser proibida. Cohn destacou que o BTG começou a reduzir as exposições dos clientes aos CDBs do Master já em 2024, quando surgiram os primeiros sinais de possíveis problemas de solvência na instituição.

O CFO explicou que o BTG implementou um processo de restrição e educação dos clientes, aconselhando-os a ficarem dentro dos próprios limites, e não apenas nos limites do FGC. "Nós fizemos um processo de restrição e de educação dos nossos clientes, com aconselhamento para que eles ficassem dentro dos próprios limites e não somente dentro dos limites do FGC", afirmou Cohn, reforçando o compromisso com a segurança dos investidores.

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Defesa das plataformas de distribuição de CDBs

Apesar da crítica ao Banco Master, Renato Cohn defendeu veementemente as plataformas de distribuição de CDBs, argumentando que elas revolucionaram o mercado financeiro brasileiro. Ele ressaltou que essas plataformas permitiram um avanço significativo no mercado de capitais, proporcionando uma democratização dos investimentos e trazendo benefícios enormes para a sociedade.

"As plataformas de distribuição permitiram um avanço enorme do mercado de capitais, elas proporcionaram uma democratização dos investimentos, com um avanço enorme para a sociedade brasileira", explicou Cohn. O executivo ponderou que um caso isolado de abuso do FGC, como o do Banco Master, não deveria prejudicar o instrumento em si nem as plataformas de distribuição, que, segundo ele, são fundamentais para a inovação financeira.

Contexto das críticas do CEO do Itaú

A resposta do BTG surge após as declarações do CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, na última quinta-feira, 5 de fevereiro. Maluhy Filho criticou bancos e corretoras que distribuíram CDBs do Banco Master e Certificados de Operações Estruturadas (COEs) da Ambipar, acusando algumas plataformas de ganharem bilhões ao colocar esses produtos nas prateleiras, em detrimento dos interesses dos clientes.

O CEO do Itaú argumentou que os objetivos do FGC foram desvirtuados no caso do Banco Master, não apenas pelo próprio banco, mas também por quem distribuiu os produtos. Ele lembrou que o FGC foi criado na década de 1990 para proteger investidores durante liquidações bancárias, e considerou aceitável seu uso em casos de quebra por modelos de negócio desatualizados ou má gestão. No entanto, no caso do Master, Maluhy Filho apontou que o FGC foi utilizado como parte do modelo de negócios para captar recursos com rentabilidade elevada, uma prática que ele vê como problemática.

Implicações para o mercado financeiro

Este debate entre dois dos maiores bancos do Brasil, BTG e Itaú, reflete questões mais amplas sobre regulamentação, ética e inovação no setor financeiro. Enquanto o BTG defende a evolução trazida pelas plataformas de distribuição, o Itaú alerta para os riscos de abuso de instrumentos como o FGC. A discussão pode influenciar futuras políticas públicas e práticas do mercado, especialmente em um contexto de crescente digitalização e acesso a investimentos por parte do público geral.

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Renato Cohn concluiu sua fala com um apelo à moderação: "Não deveríamos usar esse erro do Banco Master para voltar atrás", sugerindo que o progresso alcançado não deve ser comprometido por casos isolados. O episódio destaca a necessidade de um equilíbrio entre inovação e proteção ao investidor, um tema que continuará a ser debatido nos próximos meses.