Brasil testa captação de US$ 2 bilhões no exterior com queda do dólar
Brasil testa captação de US$ 2 bi no exterior

Brasil testa captação de US$ 2 bilhões no exterior com queda do dólar

Em um movimento estratégico do mercado financeiro, o Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a contratação de quatro grandes bancos internacionais para uma captação de US$ 2 bilhões no exterior. A operação ocorre em meio a uma queda significativa do dólar no cenário internacional, criando um momento propício para o país.

Detalhes da emissão de títulos

Os bancos envolvidos na captação são HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo. Eles serão responsáveis pela emissão de bônus do Tesouro com vencimento em 2026, além de aceitarem ofertas para títulos com vencimento aberto, programados para resgate em 2056, ou seja, em 30 anos. O resultado final desta operação será divulgado ao fim do dia.

Esta não é a primeira vez que o Tesouro Nacional recorre ao mercado externo. A última captação ocorreu em 5 de novembro de 2025, totalizando US$ 2,25 bilhões, com juros de 6% ao ano acima das taxas dos treasurys dos Estados Unidos para vencimento em 2033, e 6,50% para vencimento em 2035.

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Objetivos da captação

A emissão serve como um teste importante para o Tesouro Nacional e o Banco Central, permitindo que ambos calibrem a curva de juros futura entre o rendimento em real e em dólar. Além disso, fornece elementos cruciais para o Banco Central medir o grau de aceitação na redução do diferencial entre a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, e o piso dos juros nos EUA, que varia entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Impacto no mercado de câmbio

A notícia da captação mexeu fortemente no mercado de câmbio. O dólar abriu o dia cotado a R$ 5,2166, mas a taxa caiu rapidamente após o anúncio. Às 13:30 (horário de Brasília), a moeda era negociada a R$ 5,1880, registrando uma queda de 0,55%. Na parte da manhã, essa queda chegou a 0,66%.

Em comparação com outras moedas, o dólar apresentou perdas significativas:

  • Euro: subiu 0,72% no dia, acumulando 0,94% em sete dias e 2,27% em 30 dias.
  • Iene: o dólar perdeu 0,73% no dia e 1,20% em um mês.
  • Franco suíço: perda de -1,03% no dia, -1,53% na semana e -4,21% em 30 dias.
  • Dólar australiano: subia 0,98% no dia, 1,97% na semana e 5,97% em 30 dias.

Contexto econômico e projeções

Na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central, com respostas coletadas até sexta-feira (sem considerar a captação do Tesouro), o mercado continuou reduzindo a projeção do IPCA deste ano, de 3,99% para 3,97%. A mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis caiu para 3,96%.

Apesar desse cenário benigno, o mercado recuou na expectativa de que a Selic, que só deve baixar para 14,50% em 18 de março, feche o ano em 12,25%. Na semana passada, a mediana das respostas dos últimos cinco dias era de 12,00%.

Movimentação no setor bancário

Em outro destaque do dia, o BTG-Pactual anunciou os resultados do 4º trimestre de 2025 e do acumulado do ano. O banco de investimentos de André Esteves apresentou o maior retorno médio sobre o patrimônio líquido, com 26,9%, superando o Itaú, que registrou 23,4%. Com isso, o BTG passou a ocupar o terceiro lugar entre os bancos privados, superando o lucro trimestral e anual do espanhol Santander, que possui carteira de banco comercial.

Amanhã, o BTG-Pactual realizará um seminário internacional de dois dias, com a participação do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçando sua posição no mercado global.

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