As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta sexta-feira, 24, sem direção única, refletindo o aumento da cautela dos investidores diante da escalada do petróleo e da falta de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã. As ações de tecnologia perderam fôlego ao longo do pregão, em um ambiente de maior aversão a risco. O impasse geopolítico manteve os preços da energia em patamares elevados, reforçando temores inflacionários e limitando o apetite por risco.
As negociações paralisadas entre Washington e Teerã seguem sem avanço, enquanto o anúncio de prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano recebeu apenas apoio limitado. O barril do Brent operava próximo de US$ 100 nesta sexta-feira, com o contrato mais negociado, para julho, em torno de US$ 99, enquanto o contrato para junho havia fechado a US$ 105,07 na véspera, em meio às tensões no Estreito de Ormuz, a rota estratégica por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo. O bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos e os recentes ataques a embarcações na região ampliaram a percepção de risco nos mercados, segundo a agência Associated Press.
Desempenho heterogêneo na Ásia
Na Ásia, o desempenho foi heterogêneo. O índice Nikkei 225, do Japão, subiu cerca de 1% e voltou a se aproximar de máximas históricas, impulsionado por ações de tecnologia. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou cerca de 0,2%, revertendo perdas iniciais. Já na China continental, o índice de Xangai recuou entre 0,1% e 0,3%, enquanto o Shenzhen caiu até 0,6%. Na Coreia do Sul, o Kospi fechou praticamente estável, enquanto o índice australiano S&P/ASX 200 registrou leve queda. Em Taiwan, o Taiex teve alta mais expressiva, superior a 3%, puxado pela valorização da fabricante de chips TSMC, que chegou a subir mais de 5%.
Inflação no Japão acelera
O ambiente de cautela também foi influenciado por dados de inflação no Japão. O índice de preços ao consumidor avançou 1,8% em março na comparação anual, acima dos 1,6% registrados em fevereiro, mas ainda abaixo da meta de 2% do Banco do Japão. O dado reforça a expectativa em torno da próxima reunião da autoridade monetária.
No pano de fundo, os mercados seguem divididos entre dois vetores. De um lado, resultados corporativos robustos, que sustentaram recordes recentes em Wall Street, ainda oferecem algum suporte às bolsas globais. De outro, a persistência das tensões no Oriente Médio e o impacto direto sobre energia e cadeias logísticas aumentam a incerteza sobre inflação e crescimento.
Na véspera, os principais índices americanos recuaram, interrompendo uma sequência de máximas históricas. O S&P 500 caiu 0,4%, o Dow Jones recuou na mesma magnitude e o Nasdaq perdeu 0,9%, pressionado por ações de tecnologia.



