Banco do Brasil lidera queda de lucro dos bancões em 2025, com previsão de baixa de 50%
BB lidera queda de lucro dos bancões em 2025, com baixa de 50%

Banco do Brasil lidera queda de lucro dos bancões em 2025, com previsão de baixa de 50%

Os quatro maiores bancos brasileiros em atacado e varejo – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander – devem registrar um lucro conjunto de 101,6 bilhões de reais em 2025, conforme levantamento realizado por VEJA nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026. Esse valor representa uma queda significativa de 9,56% em comparação com os 112,34 bilhões de reais apurados em 2024. As projeções foram baseadas em relatórios de renomadas instituições financeiras, incluindo Ágora Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA e XP Investimentos.

Banco do Brasil: o único com queda no lucro

O Banco do Brasil será o único entre os quatro líderes do setor a apresentar uma redução nos números. As estimativas mais conservadoras indicam que a instituição estatal deve lucrar 18,84 bilhões de reais em 2025, o que corresponde a uma baixa expressiva de 50,27% frente aos 37,89 bilhões de reais registrados no ano anterior. Essa situação complicada é atribuída principalmente à inadimplência no agronegócio e à piora dos calotes nas carteiras de pessoas jurídicas.

Analistas consultados pela reportagem esperam que a inadimplência continue pressionando o banco no quarto trimestre de 2025. A XP Investimentos destaca que, embora a Medida Provisória 1.314 tenha gerado desembolsos robustos, seu impacto será limitado nesse período, pois entrou em vigor apenas no final de outubro. Além disso, a corretora ressalta que a carteira de crédito para empresas enfrentará desafios devido às altas taxas de juros e aos efeitos persistentes do setor agrícola.

As Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) do Banco do Brasil devem permanecer elevadas, estimadas em cerca de 62 bilhões de reais no acumulado de 2025. A Ágora Investimentos projeta uma inadimplência de 4,9% no quarto trimestre, alta de 3,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024, mas com estabilidade frente ao terceiro trimestre de 2025. Renato Chanes, da Ágora, comenta: “Esperamos um crescimento da receita de 3,5% em relação ao trimestre anterior, com expansão da carteira de empréstimos e das margens, enquanto prevemos a estabilização das despesas com provisões.”

Itaú se consolida como a joia da coroa

Enquanto o Banco do Brasil enfrenta dificuldades, o Itaú deve manter sua liderança entre os grandes bancos. As estimativas apontam para um lucro entre 12,17 bilhões e 12,28 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025, representando altas entre 11,8% e 12,86%. No acumulado do ano, a instituição pode lucrar 42,68 bilhões de reais, um avanço de 4% em relação a 2024.

A Genial Investimentos, a casa mais otimista, prevê um trimestre sólido para o Itaú, beneficiado pela sazonalidade positiva. Eduardo Nishio e Ygor Bastos, analistas da Genial, argumentam: “O resultado reflete a manutenção de uma qualidade de ativos benigna, apesar de pressão pontual no segmento de atacado. No varejo, o custo permanece controlado, com maior participação de linhas com garantia e consignado.” O bom desempenho é atribuído também à elevada participação no segmento de alta renda, mais resiliente, mantendo a inadimplência sob controle em 2,28% no quarto trimestre.

Bradesco avança na recuperação

O Bradesco deve dar mais um passo em sua recuperação, elevando sua rentabilidade para patamares equivalentes ao custo de capital. Analistas calculam que o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) atingirá 15%, alinhado à taxa Selic. Isso significa que a rentabilidade dos empréstimos estará no mesmo nível do custo de captação, uma melhora significativa em relação aos menos de 10% registrados durante a crise.

Para o lucro, as projeções indicam ganhos entre 6,39 bilhões e 6,44 bilhões de reais no quarto trimestre, com altas entre 18,3% e 19,25% frente ao mesmo período de 2024. A XP Investimentos reforça que o banco está ligeiramente adiantado em seu cronograma de reestruturação, permitindo usar reservas para proteger o balanço e acelerar investimentos.

Santander apresenta resultados estagnados

O Santander será o primeiro a divulgar seu balanço, que deve ser caracterizado por resultados mornos e sem grandes novidades. Essa estagnação faz parte da estratégia da instituição de adotar uma postura cautelosa em um ano de juros elevados e inflação volátil.

Para o quarto trimestre de 2025, os analistas esperam uma rentabilidade próxima de 17%, mantendo o patamar observado no terceiro trimestre e no quarto trimestre de 2024. A Ágora Investimentos destaca que a receita de Tesouraria permanecerá pressionada, mas será parcialmente compensada pela expansão da margem com clientes e pelo crescimento anual de 3% na carteira de crédito. Renato Chanes acrescenta: “Além disso, as tarifas e despesas operacionais deverão ser sazonalmente mais altas, impactando o lucro líquido.” A estimativa é de um lucro entre 4,04 bilhões e 4,15 bilhões de reais, com crescimento de 5% a 7,79%.

Conclusão: cenário misto para os bancões

Em resumo, os grandes bancos brasileiros devem apresentar um cenário misto em 2025. Enquanto Itaú, Bradesco e Santander registram crescimento no lucro e avanços em algumas linhas do balanço, o Banco do Brasil segue pressionado pela inadimplência no agronegócio e nas empresas. A instituição anunciou, no balanço do terceiro trimestre, que passará a priorizar a concessão de crédito à pessoa física, uma medida para mitigar os riscos em seu portfólio. Esse movimento reflete os desafios enfrentados pelo setor bancário em um ambiente econômico complexo, com taxas de juros elevadas e incertezas no crédito corporativo.