Jovens buscam CLT apesar de viralização negativa nas redes sociais
Jovens buscam CLT apesar de viralização negativa nas redes

Nas redes sociais, vídeos que viralizam frequentemente abordam uma suposta aversão dos jovens a empregos com carteira assinada, chegando a sugerir que "CLT virou xingamento". Um exemplo marcante foi o relato da influenciadora Fabiana Sobrinho, que no ano passado publicou um vídeo onde sua filha de 12 anos disse: "Vou estudar para não virar um CLT". Essa narrativa, porém, esbarra em dados concretos de uma realidade diferente.

O que é a CLT e por que ela ainda atrai

A CLT, sigla para Consolidação das Leis do Trabalho, é uma legislação brasileira de 1943 que regulamenta as relações de emprego no país. Trabalhadores com carteira assinada, os chamados "CLTs", seguem esse regime e têm uma série de direitos garantidos, como férias remuneradas, décimo terceiro salário e acesso a benefícios previdenciários.

Pesquisa revela desejo pela estabilidade

Um estudo recente do CIEE-RS (Centro de Integração Empresa-Escola do Rio Grande do Sul) aponta que, contrariando a viralização negativa, mais da metade dos jovens que estão em busca do primeiro emprego sonham com a CLT. A pesquisa, que ouviu 558 pessoas em todo o estado, incluindo estagiários, aprendizes, jovens à procura da primeira oportunidade e representantes de empresas, mostra que 51,8% esperam ter carteira assinada até 2026.

Segurança, estabilidade e reconhecimento são alguns dos fatores que influenciam fortemente essa decisão. Para estagiários e aprendizes, 38% têm a expectativa de serem efetivados. "A carteira assinada ainda simboliza segurança, reconhecimento e possibilidade de planejamento para muitos jovens que estão dando os primeiros passos no mercado de trabalho", destaca Lucas Baldisserotto, CEO do CIEE-RS.

Preferências por modelos de trabalho

Quanto ao regime de trabalho, a maioria dos jovens (51,3%) acredita que em 2024 o modelo presencial será o mais adotado pelas empresas. Os modelos flexível (22,08%) e híbrido (19,39%) somam mais de 41% das respostas, enquanto apenas 7,2% veem o home office como predominante neste ano.

A preferência pelo formato varia conforme o momento da carreira:

  • O presencial é predominante entre jovens de 16 a 24 anos, estagiários e aprendizes.
  • Modelos flexíveis e híbridos ganham força conforme a trajetória profissional avança.

Baldisserotto defende que esse comportamento reforça a importância dos ambientes presenciais no início da carreira. "A convivência, o aprendizado prático e a troca cotidiana seguem sendo elementos centrais para a formação profissional", avalia.

Contraste entre discurso e realidade

Enquanto vídeos virais nas redes sociais pintam um cenário de rejeição à CLT, os números indicam que, para muitos jovens, a carteira assinada continua sendo um objetivo valioso. A pesquisa do CIEE-RS serve como um contraponto importante, mostrando que, apesar das mudanças no mercado e do surgimento de novas modalidades de trabalho, a busca por segurança jurídica e estabilidade financeira permanece forte entre as novas gerações.