Porto da Pedra transforma avenida em palco de debate sobre profissionais do sexo no Carnaval 2026
A Unidos do Porto da Pedra promete uma das apresentações mais ousadas e provocativas do Carnaval 2026. A agremiação de São Gonçalo levará à Marquês de Sapucaí aproximadamente 70 profissionais e ex-profissionais do sexo, transformando o desfile em um vibrante palco de discussão social, brilho e muita irreverência. Com entrada marcada para o sábado, 14 de fevereiro, a escola será a sétima a cruzar a avenida, apresentando o enredo "Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite", criado pelo carnavalesco Mauro Quintaes.
Figuras emblemáticas reforçam o enredo
Entre as presenças confirmadas, destacam-se nomes conhecidos nacionalmente. A atriz pornô e influenciadora Andressa Urach desfilará em uma alegoria que a representa como 'santa', incorporando elementos de fetiche e simbolismo. Em entrevista, Urach enfatizou que o samba-enredo vai além da prostituição, abordando temas como sobrevivência, recomeço e a dignidade de mulheres frequentemente julgadas pela sociedade.
Elisa Sanches, outra atriz e produtora de conteúdo adulto, também estará presente, afirmando sentir-se profundamente representada pela narrativa. Ela compartilhou sua experiência de ser chamada de 'puta' sem se incomodar, pois reconhece o trabalho como meio de sustento, inclusive para custear a faculdade da filha. Para Sanches, o desfile serve como um ato de reconhecimento para mulheres batalhadoras.
Histórias de vida e ativismo em destaque
A escola incluirá ainda figuras históricas do ativismo pelos direitos das trabalhadoras sexuais. Lourdes Barreto, paraibana de 83 anos e ex-garota de programa, hoje é uma voz influente na defesa desses profissionais, tendo sido eleita uma das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo pela BBC. Sua participação simboliza a luta por respeito e visibilidade.
Raquel Pacheco, mundialmente conhecida pelo pseudônimo Bruna Surfistinha, fará sua estreia no carnaval em um contexto que dialoga diretamente com sua trajetória. Após transformar sua experiência em livro e filme, ela agora troca as páginas e telas pelas plumas e holofotes da Sapucaí, reforçando a mensagem de empoderamento.
Crítica social e celebração carnavalesca
A Porto da Pedra busca, com esse desfile, colocar as profissionais do sexo no centro de uma narrativa que mescla crítica social aguda com a energia contagiante do carnaval. A ideia é desconstruir estereótipos, mostrando que por trás dos rótulos existem pessoas reais, com sonhos, responsabilidades e desafios cotidianos. A escola aposta em um espetáculo que não apenas diverte, mas também provoca reflexões sobre preconceito, trabalho e direitos humanos.
O enredo promete explorar tanto o lado 'doce' – representado pela liberdade, resiliência e comunidade – quanto o 'amargo' – aludindo aos julgamentos morais e dificuldades enfrentadas por essas profissionais. Com uma produção repleta de alegorias elaboradas, fantasias luxuosas e um samba envolvente, a agremiação espera conquistar o público e os jurados, levando uma mensagem de inclusão e respeito para toda a avenida.