Governo estuda liberação de até R$ 17 bilhões do FGTS para auxiliar trabalhadores endividados
O governo federal está analisando uma proposta que pode liberar aproximadamente R$ 17 bilhões do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar trabalhadores brasileiros a quitar suas dívidas. A iniciativa, que está sob avaliação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pode ser anunciada nos próximos dias, representando um significativo alívio financeiro para milhões de cidadãos.
Duas medidas principais compõem o plano
O plano do governo prevê duas medidas distintas, cada uma com objetivos e públicos específicos:
- Até R$ 10 bilhões para trabalhadores de baixa renda
A primeira medida tem como foco principal os trabalhadores de menor poder aquisitivo, com previsão de liberação de um montante entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões. A proposta estabelece que não serão contemplados aqueles que recebem salários mais elevados, como na faixa de R$ 20 mil mensais, por exemplo. O entendimento do Ministério é que essa parcela da população teria condições mais favoráveis para arcar com seus compromissos financeiros sem auxílio adicional.
Embora o recorte por faixa de renda seja claro, o MTE ainda não divulgou qual seria o teto salarial exato para enquadramento nesta modalidade de ajuda. A medida busca oferecer um respiro financeiro justamente para quem mais precisa, em um contexto de endividamento crescente entre as famílias brasileiras.
- R$ 7 bilhões para 10 milhões de trabalhadores com saque-aniversário bloqueado
A segunda medida, que já havia sido divulgada anteriormente, prevê a liberação de cerca de R$ 7 bilhões para aproximadamente 10 milhões de trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário, foram demitidos e tiveram parte do saldo do FGTS bloqueado como garantia de empréstimos bancários.
Na prática, essa proposta busca devolver valores que permaneceram bloqueados além do necessário nessas operações financeiras. Quando o trabalhador antecipa o saque-aniversário, a Caixa Econômica Federal retém parte do saldo do FGTS como garantia do empréstimo — uma reserva para cobrir eventuais dificuldades no pagamento da dívida.
Excedente bloqueado será liberado
Segundo o Ministério do Trabalho, esse bloqueio costuma ser superior ao valor real da dívida. Em um exemplo citado pelas autoridades, podem ser retidos R$ 10 mil como garantia para cobrir um débito de aproximadamente R$ 6,4 mil. A diferença — que não corresponde à dívida efetiva — fica indisponível para o trabalhador.
A proposta em estudo prevê justamente a liberação desse excedente, com depósito direto na conta do trabalhador. A medida deve alcançar quem utilizou a antecipação do saque-aniversário entre janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025. Para entrar em vigor, será necessária a edição de uma Medida Provisória (MP).
Diferentemente da primeira medida, esta iniciativa não terá recorte por faixa de renda, já que se trata de recursos que já pertencem ao trabalhador, mas que permaneceram retidos em excesso pelas instituições financeiras.
Contexto mais amplo: unificação de dívidas
Esta proposta do FGTS se insere em um contexto mais amplo de medidas do governo para socorrer brasileiros endividados. Conforme antecipado por fontes governamentais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniram recentemente para definir estratégias de refinanciamento de dívidas.
A ideia central é reunir diversas dívidas das pessoas físicas — como cartão de crédito, crédito pessoal e outras — em um único débito, substituindo-as por uma nova dívida com juros mais baixos e descontos que podem chegar a 80% do valor principal em alguns casos.
Todo o processo de renegociação será feito diretamente com os bancos, visando agilizar as operações. As instituições financeiras, por sua vez, para refinanciar e conceder descontos, receberão verbas possivelmente do Fundo de Garantia de Operações. Caso as dívidas refinanciadas não sejam pagas, os bancos terão garantia de recebimento dos valores acordados.
Esta proposta está entre as prioridades do governo para este ano e possui um componente eleitoral significativo, especialmente em um momento em que o presidente Lula enfrenta uma fase de piora na aprovação de sua gestão. A combinação de medidas — tanto a liberação do FGTS quanto a unificação de dívidas — busca oferecer um alívio concreto para as finanças das famílias brasileiras.



