Combate à clandestinidade gera mais receita que aumento de impostos
Mercado clandestino de apostas movimenta R$ 38 bi

O combate ao mercado clandestino de apostas esportivas pode gerar mais receita para os cofres públicos do que aumentar impostos sobre as empresas que já operam dentro da lei. É o que demonstra um estudo recente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

Cenário atual do mercado de apostas

O Brasil consolidou-se como o quinto maior mercado de apostas do mundo, com crescimento acelerado nos últimos anos. Entre 2023 e 2024, os investimentos do setor em mídia digital cresceram impressionantes 192%, segundo dados da Kantar IBOPE Media.

Mesmo com essa expansão, o setor enfrenta um dos maiores desafios: mais de 51% das apostas online no país operam na clandestinidade. Esse mercado ilegal movimenta cerca de R$ 38 bilhões anuais sem recolher impostos, representando uma significativa evasão fiscal.

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Impacto da tributação excessiva

As empresas que atuam no mercado regulamentado enfrentam uma carga tributária considerada excessiva. Atualmente, as operadoras pagam 12% sobre a GGR (receita bruta de jogos), além de PIS, Cofins e contribuição previdenciária, totalizando aproximadamente 25% de tributação.

A proposta do PL 5.473/2025 pretende dobrar a alíquota para 24%, o que significaria um aumento de 45,4% na carga tributária total. Especialistas alertam que essa medida pode incentivar a migração de operadoras licenciadas para o mercado ilegal.

Benefícios do combate à clandestinidade

O estudo do IBJR, conduzido pela LCA Consultoria Econômica, revela números impressionantes: reduzir a participação do mercado ilegal em apenas cinco pontos percentuais gera R$ 1,1 bilhão por ano em arrecadação adicional. Esse valor supera em muito o potencial arrecadatório de aumentar impostos sobre o setor regulado.

Até setembro de 2025, as plataformas regulamentadas já haviam contribuído com R$ 6,85 bilhões em impostos, demonstrando o retorno direto que o ambiente legal proporciona ao Estado.

Além dos benefícios fiscais, o fortalecimento do mercado regulado traz vantagens sociais significativas. A arrecadação é distribuída em diversas áreas:

  • 36% para o Ministério do Esporte e comitês esportivos
  • 28% para o turismo
  • 13,6% para a segurança pública
  • 10% para o Ministério da Educação
  • 10% para a seguridade social

A pesquisa do Instituto Locomotiva reforça a preocupação social: 87% dos apostadores defendem que o poder público intensifique o combate às operadoras ilegais.

O IBJR, que representa cerca de 75% do mercado brasileiro de apostas, posiciona-se contra as sobretaxas que distorcem os incentivos econômicos e fortalecem a clandestinidade. A entidade defende um equilíbrio tributário que não puna quem cumpre a lei, garantindo estabilidade regulatória e promovendo uma atuação sustentável no setor.

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