O mercado financeiro brasileiro começa 2026 com expectativas otimistas para os juros e a inflação. A frustração com a possível manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião do Copom de 28 de janeiro pode ser compensada por um corte mais agressivo em março.
Projeções da Pesquisa Focus para a Selic e a Inflação
De acordo com a última edição da Pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (12), os agentes econômicos esperam uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para 18 de março. Se confirmado, o movimento levaria a Selic para 14,50% ao ano.
Esse cenário de cortes mais acentuados é respaldado por projeções confortáveis para a inflação. Mais de 140 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa consultados pelo BC até a última sexta-feira (9) revisaram para baixo a expectativa para o IPCA de 2026, de 4,10% para 4,05%. A mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis chegou a indicar 4,00%.
Dois fatores principais sustentam esse otimismo: a previsão de alta de apenas 3,75% nos preços administrados, influenciada pela redução dos Índices Gerais de Preços (IGPs), e a contenção do dólar em torno de R$ 5,50 em dezembro.
Previsões dos Bancos e Cenário para o Fim do Ano
Com a inflação dentro da meta, a mediana geral da Focus mantém a previsão de que a Selic termine 2026 em 12,25% ao ano. No entanto, a mediana das projeções mais recentes (dos últimos cinco dias) aponta para uma queda ainda maior, chegando a 12,00%.
O Bradesco se destaca com uma projeção particularmente otimista. O banco espera um IPCA de 3,8% para 2026, o que, em sua avaliação, permitirá ao Banco Central baixar a Selic para 12% no fim do ano. Essa visão é atribuída em parte à sintonia com o pensamento do diretor de Política Monetária do BC, Nilton Davi, que era diretor tesoureiro do Bradesco até dezembro de 2024.
Em contrapartida, o Itaú, em sua projeção de dezembro, previa um IPCA de 4,0% e uma Selic terminando o ano em 12,75%. No entanto, o Bradesco é mais conservador que a média do mercado em relação ao crescimento do PIB, projetando uma alta de 1,5%, contra 1,80% da mediana da Focus.
Inflação Regional: O Impacto Limitado da COP-30
O texto também aborda o comportamento da inflação nas capitais brasileiras. Apesar da forte especulação com preços de aluguéis, hospedagem e transporte durante a realização da COP-30 em Belém, em novembro de 2025, a capital paraense fechou o ano com um IPCA de 3,75%, abaixo da média nacional de 4,26% e inferior à taxa de 2024 (4,65%).
Em 2025, seis das 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas tiveram inflação acima do índice nacional, lideradas por Vitória (4,99%), Porto Alegre (4,79%) e São Paulo (4,78%). No outro extremo, as menores taxas foram registradas em Campo Grande (3,14%) e São Luís (3,24%). O Rio de Janeiro também ficou abaixo da média, com 3,45%.
As projeções indicam que, com a inflação sob controle, o caminho para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central está aberto, devendo animar o mercado financeiro e os tomadores de crédito nos próximos meses.