Febre das canetas emagrecedoras pode pressionar inflação médica em 2026
Canetas emagrecedoras podem elevar inflação médica em 2026

A febre das canetas emagrecedoras e a crescente demanda por terapias avançadas, com medicamentos de alto custo, devem pressionar a inflação médica e podem resultar em reajustes mais elevados nos planos de saúde empresariais. De acordo com especialistas consultados pelo g1, a expectativa é que os custos médicos subam entre 8% e 11% em 2026.

Medicamentos como principal fator de alta

Segundo pesquisa da consultoria Willis Towers Watson (WTW), os gastos com medicamentos estão entre os principais fatores que impulsionam os custos de saúde nas Américas, especialmente os remédios mais modernos para obesidade e diabetes. Walderez Fogarolli, diretora de saúde e benefícios da WTW, explica que, embora os planos de saúde no Brasil ainda não cubram medicamentos para emagrecimento, como as canetas injetáveis, o rol de procedimentos ampliou a cobertura ambulatorial para alguns tratamentos oncológicos e medicamentos para doenças raras e autoimunes.

Discussões sobre obesidade e novas diretrizes

Entidades de saúde no Brasil e no mundo continuam debatendo o tratamento da obesidade a longo prazo. No final de 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras diretrizes sobre o uso de canetas emagrecedoras, classificando esses medicamentos como ferramenta potencialmente essencial para ajudar milhões de pessoas a superar a obesidade. No Brasil, diversos projetos de lei no Congresso tratam do uso de medicamentos contra a obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). A avaliação do setor é que, apesar de os planos ainda não serem obrigados a cobrir as canetas, a obesidade é cada vez mais reconhecida como doença crônica, o que pode influenciar decisões judiciais contra as operadoras.

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Pesquisa aponta impacto nos próximos anos

A pesquisa da WTW revela que 67% das seguradoras acreditam que medicamentos à base de GLP-1 elevarão os custos médicos nos próximos três anos. Esses medicamentos imitam a ação do hormônio GLP-1, que controla o apetite, aumenta a saciedade e regula a insulina. Além disso, outros fatores como regulação, judicialização, tecnologias caras atreladas ao dólar, comportamento dos usuários, desperdícios e fraudes também influenciam a inflação médica.

Judicialização e outros fatores

A judicialização ocorre quando pessoas recorrem à Justiça para obrigar planos a cobrir tratamentos não autorizados. Thomás Ishizuka, superintendente técnico e atuarial da Mercer Marsh Benefícios, destaca que fatores como frequência de uso do plano e custo médio dos atendimentos entram no cálculo dos reajustes. A Mercer Marsh estima inflação médica entre 8% e 9% em 2026, com reajustes de planos empresariais variando de 8% a 10%. Já a WTW projeta alta de 11% em 2025, sem detalhar reajustes.

Desaceleração esperada

Apesar da alta projetada, especialistas acreditam em desaceleração em relação a 2025, devido a esforços das operadoras para combater fraudes e controlar custos. Dados da Aon indicam alta de 9,7% nos custos médicos corporativos no Brasil, queda de 3,2 pontos percentuais ante os 12,9% projetados para 2025. Marcelo Borges, diretor executivo da Mercer Marsh Benefícios, aponta mudanças na coparticipação e maior controle sobre reembolsos e rede credenciada como medidas adotadas.

Medidas de controle de custos

O aumento da coparticipação reduziu o uso indevido dos planos, como idas desnecessárias ao pronto-socorro. Regras mais rígidas para reembolsos, com exigência de comprovantes e tabelas definidas, também ajudaram. Além disso, operadoras renegociaram contratos com hospitais e clínicas, adotando pacotes fechados e regras claras para diárias. Fabio Martinez, diretor de Health & Talent da Aon no Brasil, reforça o desafio de incentivar o uso eficiente dos planos, considerando o acesso a tratamentos mais caros e a inclusão de novas tecnologias no rol da ANS.

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