Balança comercial registra superávit de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, com destaque para petróleo
Superávit de US$ 4,2 bi na balança comercial em fevereiro

Balança comercial brasileira registra superávit expressivo em fevereiro de 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgou nesta quinta-feira (5) que a balança comercial brasileira alcançou um superávit de US$ 4,2 bilhões no mês de fevereiro. Este resultado representa uma significativa melhora em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foi registrado um déficit de US$ 467 milhões, marcando uma recuperação importante nas transações comerciais do país.

Exportações impulsionam resultado positivo

O superávit ocorre quando as exportações superam as importações, e foi exatamente isso que aconteceu em fevereiro. As exportações brasileiras somaram US$ 26,3 bilhões, registrando uma alta expressiva de 28,5% pela média diária. Já as importações totalizaram US$ 22,1 bilhões, com aumento mais moderado de 5,7% na mesma base de comparação.

Este foi o segundo maior superávit para meses de fevereiro desde 2023, quando o país registrou US$ 5,13 bilhões positivos. O destaque do mês foi o forte crescimento nas exportações de petróleo, que alcançaram US$ 3,7 bilhões com uma alta impressionante de 76,5%.

Principais produtos exportados em fevereiro

  • Óleos brutos de petróleo: US$ 3,7 bilhões (alta de 76,5%)
  • Soja: US$ 2,93 bilhões (aumento de 15,5%)
  • Minério de ferro: US$ 2,09 bilhões (alta de 20,9%)
  • Carne bovina: US$ 1,33 bilhão (crescimento de 41,8%)
  • Café não torrado: US$ 1,02 bilhão (queda de 1,1%)
  • Carnes de aves e suas miudezas: US$ 856 milhões (alta de 9,8%)

Acumulado do ano mostra tendência positiva

Nos dois primeiros meses de 2026, a balança comercial brasileira acumula um superávit de US$ 8,02 bilhões, demonstrando uma melhora substancial em relação ao primeiro bimestre de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 1,87 bilhões. No período acumulado deste ano, as exportações totalizaram US$ 50,92 bilhões, com alta de 13,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior pela média diária.

As importações, por sua vez, somaram US$ 42,9 bilhões no primeiro bimestre de 2026, registrando uma leve queda de 0,2% em relação ao mesmo período de 2025, também calculada pela média diária.

Impacto do tarifaço dos Estados Unidos

Ainda sob os efeitos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos durante a maior parte de fevereiro, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram para US$ 2,52 bilhões, representando uma queda de 20,3% em comparação com o mesmo mês do ano anterior (US$ 3,17 bilhões). Simultaneamente, as importações brasileiras de produtos dos EUA também diminuíram, chegando a US$ 2,79 bilhões com recuo de 16,5%.

Com esses números, a balança comercial bilateral com os Estados Unidos registrou um déficit de US$ 265 milhões no segundo mês de 2026. O chamado "tarifaço" do presidente Donald Trump foi implementado gradualmente, com início em abril para todos os países, embora produtos como aço e alumínio tenham recebido taxação mais elevada.

Diversificação de mercados compensa efeitos negativos

A situação da balança comercial brasileira em fevereiro só não foi mais impactada negativamente porque o país conseguiu ampliar as exportações para outros mercados importantes. Esse movimento de diversificação ajudou a compensar os efeitos do tarifaço norte-americano, que ainda vigorava em boa parte do mês.

As exportações para outros blocos e regiões em fevereiro apresentaram os seguintes resultados:

  1. China: alta de 32,9%, para US$ 7,22 bilhões
  2. União Europeia: alta de 34,7%, para US$ 4,23 bilhões
  3. Oriente Médio: alta de 10,8%, para US$ 1,23 bilhão
  4. México: crescimento de 24,3%, para US$ 634 milhões
  5. Mercosul: queda de 19,5%, para US$ 1,56 bilhão

Vale destacar que em 20 de fevereiro, a Justiça dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor o tarifaço a outros países sem autorização do Congresso Nacional. Por essa razão, revogou as sobretaxas específicas impostas a várias nações, mantendo apenas a tarifa geral de 10%.

Este cenário comercial complexo demonstra a resiliência da economia brasileira frente a desafios internacionais, com o país conseguindo redirecionar suas exportações para mercados alternativos enquanto negociava a redução das barreiras comerciais com os Estados Unidos.