Setor produtivo defende 'taxa das blusinhas' em manifesto contra revogação
Setor produtivo defende 'taxa das blusinhas' em manifesto

Entidades nacionais defendem manutenção da 'taxa das blusinhas' em manifesto conjunto

Representantes dos setores produtivo, comercial e varejista divulgaram nesta semana um manifesto cobrando a manutenção da chamada "taxa das blusinhas", que estabelece a cobrança de impostos federais e estaduais na importação de produtos, mesmo aqueles com valor de até US$ 50. O movimento surge em um contexto em que o governo avalia a revogação da medida, liderado politicamente pelo ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência.

Manifesto assinado por 53 entidades setoriais

No documento, assinado por 53 entidades, incluindo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), as organizações argumentam que a taxação gerou empregos e benefícios ao consumidor brasileiro. "O consumidor também foi beneficiado pela redução da disparidade tributária entre plataformas internacionais de e-commerce e o setor produtivo nacional", afirma o texto.

As entidades destacam que, no setor de têxteis, vestuário e calçados, a inflação é a menor entre os itens do IPCA desde julho de 1994, início do Plano Real. Além disso, o fortalecimento da produção local ampliou a oferta de produtos com qualidade assegurada, assistência técnica e conformidade com normas nacionais de segurança, trabalho, meio ambiente e saúde.

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Contra narrativas de retração do consumo

O manifesto rebate narrativas difundidas nas redes sociais de que a taxa das blusinhas retraiu o consumo. Citando pesquisa do Instituto Locomotiva, as entidades afirmam que "apenas 12% deixaram" de comprar nessas plataformas após a retomada do imposto de importação. "A tributação introduzida, somada ao ICMS, não eliminou a desigualdade tributária. As plataformas estrangeiras operam com carga de cerca de 45%, aproximadamente metade dos 90% incidentes sobre o varejo e a indústria nacionais", explicam.

O discurso do manifesto encontra eco no vice-presidente Geraldo Alckmin, que na semana passada defendeu a taxa das blusinhas para proteger a produção, o emprego e a renda no país. "Defendi lá atrás, porque se você pegar o produto fabricado no Brasil, a roupa, ele paga entre 45% a quase 50% de tributo. Uma média de 45%. O importado está pagando bem menos do que o fabricado aqui dentro", declarou o vice-presidente.

Contexto histórico e arrecadação recorde

A taxa das blusinhas foi implementada em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, estabelecendo um imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que antes estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme. A medida foi uma resposta a pedidos da indústria nacional, diante do aumento das compras digitais durante a pandemia e da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e importados.

No acumulado de todo o ano de 2025, a taxação arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões, ajudando o governo no atingimento da meta fiscal. Segundo o Fisco, 50 milhões de brasileiros estão "cumprindo suas obrigações tributárias" por meio das empresas habilitadas no Remessa Conforme. Em janeiro deste ano, o governo federal arrecadou R$ 425 milhões, com crescimento de 25% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Projeto de lei em discussão na Câmara

Paralelamente ao manifesto, a Câmara dos Deputados discute um projeto de lei que zera o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 feitas por meio de comércio eletrônico, o que significaria o fim da taxa das blusinhas. As entidades signatárias, no entanto, defendem que "os avanços recentes, apoiados por diferentes correntes políticas, devem ser preservados".

O documento conclui com um apelo: "Este balanço mostra que estamos no caminho para tornar as empresas nacionais muito mais competitivas em um Brasil que toma medidas para ser, cada vez mais, desenvolvido, com mais emprego e renda, com empresas nacionais que competem com as estrangeiras - e com consumidores mais protegidos!"

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