Gasolina tem queda de 5,2%, mas impacto no bolso do consumidor será limitado
Queda da gasolina chega ao consumidor de forma parcial

Gasolina tem redução de 5,2%, mas alívio no bolso do consumidor será modesto

A partir desta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, entra em vigor uma redução de 5,2% no preço da gasolina anunciada pela Petrobras. A medida, que pode contribuir para moderar as projeções de inflação do IPCA no início do ano, traz uma questão crucial: quanto dessa queda, efetivamente, chegará ao bolso do consumidor final?

Estrutura de custos limita impacto da redução

De acordo com análises de mercado, o preço médio nacional da gasolina atualmente é de R$ 6,33. Desse valor, apenas cerca de 30% correspondem ao custo da Petrobras. A maior parte é composta por impostos, como ICMS e tributos federais, que somam mais de 35%, além de custos com etanol, distribuição e revenda.

Ricardo Rocha, coordenador de finanças do Insper, destaca que o setor de distribuição e revenda é altamente concentrado, com poucas bandeiras dominando o mercado. Essa concentração tende a limitar o repasse integral da redução aos postos de combustível.

Repasse parcial ao consumidor

Especialistas estimam que, na prática, o consumidor poderá sentir uma queda de apenas 1% a 2% no preço final da gasolina. Isso significa que, embora a redução na origem seja significativa, seu efeito nas bombas será bastante atenuado.

Laura Pacheco, economista, acrescenta outro fator relevante: a logística. Em um país dependente do transporte rodoviário, o custo do combustível impacta toda a cadeia produtiva. Uma queda na gasolina pode, portanto, influenciar não apenas o abastecimento direto, mas também os preços de produtos que chegam às prateleiras, desde o produtor até o consumidor final.

Impacto na inflação e recomendações

A redução é vista como positiva para as contas de inflação, ajudando a conter pressões de curto prazo. No entanto, não se espera um efeito milagroso na economia doméstica. Para os consumidores, a recomendação é observar os preços, comparar entre diferentes postos e escolher onde abastecer com base na relação custo-benefício.

No final das contas, o preço do combustível reflete não apenas os custos diretos, mas também a dinâmica de mercado e a confiança dos consumidores. A queda anunciada pela Petrobras é um passo, mas seu real alcance dependerá de como os outros elos da cadeia responderão a essa mudança.