Nova tarifa global de 10% de Trump é mais favorável ao Brasil, avalia vice-presidente em exercício
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que atualmente responde pela Presidência da República durante a viagem de Luiz Inácio Lula da Silva à Ásia, declarou que a situação comercial do Brasil melhorou significativamente após a reviravolta nas políticas tarifárias dos Estados Unidos ocorrida nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026.
Decisão da Suprema Corte americana derruba tarifas recíprocas
Pela manhã, a Suprema Corte dos Estados Unidos anunciou uma decisão histórica que considerou ilegal a maior parte das tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump ao longo do ano anterior. Com essa determinação judicial, as chamadas tarifas recíprocas – que eram taxas adicionais impostas por Trump a cada parceiro comercial – deixaram de valer imediatamente.
O Brasil enfrentava uma das situações mais desfavoráveis nesse cenário, com uma tarifa adicional de 40% somada à tarifa padrão internacional de 10%, totalizando uma carga tributária de 50% sobre as exportações brasileiras para o mercado americano. Essa era a taxa mais elevada entre todos os países afetados pelas medidas protecionistas.
Trump anuncia nova taxa global de 10%
Poucas horas após a decisão judicial, o presidente Donald Trump anunciou a implementação de uma nova taxa global de 10%, que substituiria as tarifas recíprocas derrubadas pela Suprema Corte. Em coletiva de imprensa realizada no final da tarde, Alckmin analisou positivamente essa mudança.
“Os 10% global é para todos, nós não perdemos competitividade”, afirmou o vice-presidente em exercício. “O que estava acontecendo é que o Brasil estava com a tarifa de mais 40% que ninguém tinha, e esse é que era o problema. Aí efetivamente nós perdíamos competitividade em relação aos outros países.”
Limitações da decisão judicial
A decisão da Suprema Corte americana teve alcance limitado, pois derrubou apenas as tarifas recíprocas por considerá-las em violação à legislação comercial. No entanto, não afetou as tarifas aplicadas através da Seção 232, outro mecanismo legal utilizado pela administração Trump.
Por meio da Seção 232, o governo americano aumentou a taxação sobre importações de produtos específicos como aço e alumínio – commodities importantes nas exportações brasileiras para os Estados Unidos. Nesse caso específico, as alíquotas permanecem as mesmas para todos os países.
“O aço e o alumínio tinham uma tarifa de 50% e não foram afetados pela decisão da Suprema Corte”, explicou Alckmin. “Mas essa era para o mundo inteiro. Com a Seção 232, nós só perdemos competitividade para quem está dentro dos Estados Unidos. O que mais nos afetava, realmente, era a tarifa de 10% mais 40%.”
Impacto na economia brasileira
A mudança nas políticas tarifárias americanas representa um alívio significativo para a economia brasileira, que enfrentava desvantagens competitivas importantes no mercado internacional. A eliminação das tarifas recíprocas específicas ao Brasil remove uma barreira comercial que prejudicava especialmente:
- Exportadores brasileiros de diversos setores
- A competitividade dos produtos nacionais no mercado americano
- As relações comerciais bilaterais entre os dois países
A nova tarifa global de 10%, embora ainda represente um custo adicional, coloca o Brasil em condições de igualdade com outros parceiros comerciais dos Estados Unidos, eliminando a desvantagem competitiva que existia anteriormente.



