O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do Brasil, apresentou uma elevação de 0,88% no mês de março, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos doze meses, o acumulado chegou a 4,14%, superando as projeções dos economistas, que esperavam um avanço mensal de 0,7% e uma inflação acumulada de 4% no período anual.
Meta de inflação mantém-se dentro do intervalo de tolerância
Mesmo com essa alta, o índice permanece dentro da faixa de tolerância estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para a meta de inflação. Para o ano de 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com um limite máximo permitido de 4,5%. Vale destacar que, desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua, o que significa que o cumprimento é monitorado mês a mês com base na inflação acumulada em doze meses.
Transportes e Alimentação concentram 76% da inflação de março
Os grupos que mais contribuíram para a inflação em março foram Transportes e Alimentação e bebidas. O grupo Transportes registrou uma alta expressiva de 1,64%, respondendo por 0,34 ponto percentual (p.p.) do IPCA do mês. Enquanto isso, Alimentação e bebidas subiu 1,56%, com um impacto de 0,33 p.p. Juntos, esses dois grupos concentraram impressionantes 76% da inflação registrada em março.
Entre os demais componentes do índice, as variações ficaram em uma faixa mais moderada, indo de 0,02% em Educação até 0,65% em Despesas pessoais. Confira os resultados detalhados dos grupos do IPCA:
- Alimentação e bebida: 1,56%
- Habitação: 0,22%
- Artigos de residência: 0,51%
- Vestuário: 0,46%
- Transportes: 1,64%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,42%
- Despesas pessoais: 0,65%
- Educação: 0,02%
- Comunicação: 0,19%
Combustíveis puxam a alta no grupo Transportes
Os preços do grupo Transportes aceleraram significativamente em março, passando de uma alta de 0,74% em fevereiro para 1,64%. Esse aumento foi puxado principalmente pelos combustíveis, que subiram 4,47% no período. A gasolina teve um papel central nesse resultado: após uma queda de 0,61% em fevereiro, o preço do combustível subiu 4,59% em março, sendo o item que mais pressionou a inflação do mês, com um impacto de 0,23 ponto percentual (p.p.) no IPCA.
O óleo diesel também registrou uma forte alta, passando de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março, com impacto de 0,03 p.p. Já o etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular apresentou uma queda de 0,98%. Entre os serviços de transporte, as passagens aéreas continuaram em alta, mas com um ritmo menor: o aumento desacelerou de 11,40% em fevereiro para 6,08% em março.
É importante notar que os preços dos combustíveis já têm sofrido os reflexos de fatores externos, como o fechamento do Estreito de Ormuz, o que pode influenciar tendências futuras na inflação. Em março de 2025, a variação do IPCA havia sido de 0,56%, indicando uma aceleração nos preços no período atual.



