IPCA de janeiro revela inflação resiliente com alta em serviços, mas cortes de juros seguem no horizonte
Inflação de janeiro mostra desaceleração na desinflação, com foco em serviços

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro fechou em 0,33%, um resultado que, embora dentro das expectativas do mercado, sinaliza uma diminuição no ritmo da desinflação. Os dados divulgados mostram que a inflação continua resiliente, especialmente impulsionada pela alta de 2,06% na gasolina e pela aceleração persistente nos serviços, que acumulam uma alta de 5,28% nos últimos doze meses.

Análise detalhada do IPCA e seus componentes

André Valério, economista sênior do Inter, destaca que o IPCA veio em linha com a projeção de 0,31%, mas aponta uma piora qualitativa na margem. A média dos núcleos inflacionários mantém-se em patamar elevado, refletindo pressões contínuas, enquanto a inflação de serviços subjacentes, sensível à demanda, permanece alta. Isso sugere que o mercado de trabalho aquecido continua sendo um entrave significativo para a desinflação de serviços, um fator que preocupa os analistas.

Perspectivas sobre a desinflação e repique inflacionário

Lucas Ghilardi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, explica que o dado não deve ser interpretado como um repique inflacionário. Ele atribui a desaceleração na queda da inflação principalmente ao comportamento de dois grupos: transportes e serviços. Não vemos uma reversão clara da tendência de queda com altas generalizadas, afirma Ghilardi, que estima a inflação encerrando o ano em 4%. Em resumo, o processo de desinflação não acabou, mas tornou-se mais lento e desafiador.

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Expectativas para os cortes de juros pelo Copom

Humberto Aillon, professor na FIPECAFI, comenta que a resistência na queda da inflação afasta o Banco Central do atingimento da meta, mas mantém a expectativa de cortes de juros na próxima reunião, de forma mais conservadora. Ele não acredita em reduções acima de 0,5 ponto percentual na Selic em março, projetando cortes entre 0,25 e 0,5 ponto percentual.

Divergências entre analistas sobre a trajetória da Selic

André Valério aposta em um corte de 0,5 ponto percentual, argumentando que uma redução menor poderia passar a impressão de baixa convicção do Copom. Dado o aperto monetário elevado e o comportamento da atividade econômica, ele vê essa medida como consistente com o cenário base do comitê. Em contrapartida, Júlio Miragaya, conselheiro do Cofecon, tem uma visão mais conservadora, estimando que a Selic deve cair para 13% ao ano, com base na postura pouco tolerante do Copom com a inflação.

Projeções para a economia e a Selic até o fim de 2026

De modo geral, os analistas consultados preveem que a Selic deve cair de dois a três pontos percentuais até o final de 2026, com o valor final variando entre 12% e 13% ao ano. A maioria concorda com a postura cautelosa do Banco Central, embora haja divergências sobre a intensidade dos cortes. A inflação de janeiro mostrou uma redução no ritmo da desinflação, mas as perspectivas para cortes de juros permanecem, com o cenário econômico ainda em aberto.

Em síntese, o IPCA de janeiro reforça a resiliência da inflação, especialmente nos serviços, enquanto os cortes de juros seguem no radar, com análises que variam entre otimismo e cautela. O mercado aguarda as próximas decisões do Copom para definir a trajetória da economia brasileira nos próximos meses.

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