Produção industrial brasileira registra pior desempenho desde 2022 em ranking global
O Brasil apresentou o pior desempenho em sua produção industrial desde 2022, segundo um estudo recente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O país recuou significativamente no ranking global de ritmo de expansão da atividade industrial, passando da 24ª posição em 2024 para a 64ª colocação em 2025. Esta posição representa a mais baixa desde 2022, quando o Brasil havia ficado em 71º lugar no mesmo levantamento.
Brasil fica atrás de Angola e Togo no ranking industrial
O estudo, produzido a partir de dados da Unido, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para promoção do desenvolvimento industrial, foi enviado com exclusividade ao Valor Econômico e analisado por VEJA nesta terça-feira, 14 de abril de 2026. O líder do ranking é Angola, que registrou uma alta impressionante de 43% em sua produção industrial no período analisado.
Além de Angola, outros países como Togo, Vietnã, China e Japão também ficaram à frente do Brasil no ranking. Por outro lado, o Brasil conseguiu se posicionar à frente de nações como Alemanha, México e África do Sul, embora essa colocação ainda represente um declínio preocupante para a economia nacional.
Juros elevados são apontados como principal causa do fraco desempenho
O país perdeu posições no ranking principalmente devido às taxas de juros elevadas, que têm atuado como uma trava relevante na economia brasileira. A taxa Selic, que se manteve na faixa de 14,75%, chegou a atingir 15% nos últimos meses, impactando negativamente o crescimento do setor industrial.
Esse fator gerou um crescimento da indústria brasileira abaixo da média global. Enquanto a produção da indústria de transformação mundial cresceu 3,9% em 2025, contra 2,1% em 2024, a produção brasileira teve uma variação de apenas 0,1% no ano passado, frente a 3,2% em 2024.
Dados do estudo contrastam com informações do IBGE
Vale destacar que o estudo do Iedi apresenta um dado diferente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto o Iedi aponta uma variação de 0,1% na produção industrial brasileira em 2025, o IBGE registrou uma queda de 0,2% no mesmo período, após uma alta de 3,7% em 2024.
Essa discrepância ressalta a complexidade da análise econômica e a importância de considerar múltiplas fontes para entender completamente o cenário industrial do país. O fraco desempenho do Brasil no ranking global evidencia os desafios que a indústria nacional enfrenta em um contexto de juros altos e competição internacional acirrada.



