O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (3) dados que revelam uma forte desaceleração no desempenho da indústria nacional em 2025. Após um crescimento de 3,1% registrado no ano anterior, a produção industrial brasileira avançou apenas 0,6% no último ano, marcando uma perda significativa de ritmo.
Primeiro trimestre negativo e queda intensa em dezembro
A indústria brasileira vem apresentando sinais de enfraquecimento desde o último trimestre de 2024. No entanto, 2025 trouxe um marco preocupante: pela primeira vez, o resultado trimestral foi negativo. Além disso, o mês de dezembro registrou a queda mais intensa em 17 meses, aprofundando a tendência de desaceleração.
Setores que puxaram a desaceleração
O setor de indústria de transformação foi o principal responsável por essa perda de ritmo, conforme os dados do IBGE. A desaceleração poderia ter sido ainda maior, mas foi atenuada pelo crescimento observado em dois segmentos específicos:
- Setor extrativo, impulsionado principalmente pela produção de petróleo.
- Produção de alimentos, que manteve um desempenho positivo.
Em contraste, setores como o de pescados, que fornece produtos para restaurantes e hotéis, enfrentam desafios significativos. O diretor-geral da Master Mares, Ricardo Cavaliere, destacou a necessidade de investimentos pesados em maquinário para incorporar mais tecnologia e aumentar a capacidade de produção. "Nós vamos investir em maquinário, que é um investimento pesado, para poder ter um crescimento maior ainda", afirmou Cavaliere.
Impacto das taxas de juros e equilíbrio macroeconômico
O economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), Jonathas Goulart, analisou os fatores por trás dessa desaceleração. Ele ressaltou que o investimento industrial é muito sensível à taxa de juros, e que equilibrar as contas públicas é o primeiro passo para um crescimento sustentável ao longo dos anos.
"Quando a gente pensa no curto prazo, para resolver essa questão, a gente fala simplesmente: reduz a taxa de juros. Mas para que a taxa de juros seja reduzida de uma maneira sustentável, a gente precisa ter um equilíbrio macroeconômico", explicou Goulart.
O economista detalhou que esse equilíbrio macroeconômico depende, principalmente, do equilíbrio das contas públicas. Ele usou uma analogia para ilustrar a situação: "Toda vez que o governo gasta mais, ele estimula o consumo. Então, é como se tivesse o Banco Central puxando a corda para um lado e o governo, gastando mais, puxando a corda para o outro lado".
Goulart enfatizou a importância desse equilíbrio, pois quando o Banco Central aumenta os juros, não reduz apenas o consumo, mas também o investimento. "E por isso a indústria sofre mais", concluiu o economista-chefe da Firjan, destacando a vulnerabilidade do setor industrial às políticas monetárias e fiscais.



