Wanda Corso, professora e líder comunitária, chegou a Brasília em 1957. Assim como ela, muitas mulheres que participaram da construção da capital tiveram seus filhos em condições adversas, dando à luz à primeira geração brasiliense. A historiadora Tânia Fontenelle, que entrevistou 50 mulheres para o documentário 'Poeira e Batom', destaca a coragem dessas mães.
Cesárea sem anestesia
Luiza de Souza veio do Maranhão em 1959. Grávida, teve um prolapso do cordão umbilical, emergência que exigia cesárea imediata. Caminhou quase um quilômetro até o Hospital do IAPI, no Guará, único da cidade, feito de madeira. Sem anestesia, foi amarrada e operada 'a seco'. O bebê sobreviveu, mas ela ficou 11 dias internada e saiu sem medicação, 'para morrer lá fora', mas sobreviveu com conhecimentos caseiros.
Partos em casa
Com apenas um hospital precário, partos domiciliares eram comuns. Maria Katuko teve a filha em casa com a parteira Dona Cacilda Bertoni, que levava kit com água fervida, luvas e instrumentos. Ladir Alarcão, enfermeira, ia a cavalo para atender partos na região do Torto.
Chegada do Hospital de Base
Em 1960, com a inauguração de Brasília, abriu o Hospital de Base (HDB), melhor estruturado. Fotos do arquivo público mostram berçários e procedimentos cirúrgicos, marcando o início de melhores condições para as mães e os primeiros brasilienses.



