Ibovespa sobe mais de 1% em recuperação após fechamento do Estreito de Ormuz
Ibovespa sobe 1,24% em dia de recuperação pós-fechamento de Ormuz

Ibovespa registra alta de 1,24% em meio a recuperação do mercado

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira B3, apresentou uma valorização significativa de 1,24% nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, fechando aos 185,3 mil pontos. Essa movimentação positiva ocorre após um período de intensa aversão ao risco nos mercados, desencadeada pelos conflitos bélicos envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram no fechamento do estratégico Estreito de Ormuz.

Contexto internacional e impacto no petróleo

O Estreito de Ormuz é uma via marítima crucial, responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do óleo e gás transportados por navios em todo o mundo. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou publicamente que as reservas de petróleo dos Estados Unidos são suficientes para suportar o fechamento temporário do canal. Além disso, o governo norte-americano declarou sua intenção de proteger navios petroleiros que trafeguem pela região, visando evitar interrupções na circulação e nas transações globais de combustíveis.

O preço do barril de petróleo Brent registrou uma alta de 1,45%, atingindo a cotação de 82,5 dólares. Embora positiva, essa valorização foi considerada menor em comparação com os aumentos anteriores, indicando uma certa estabilização momentânea. Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, explicou que "essa situação representa uma pausa técnica após uma busca intensa por proteção por parte dos investidores".

Desempenho dos bancos e moeda brasileira

No cenário doméstico, os principais bancos brasileiros operaram em forte movimento de recuperação, revertendo as quedas registradas na véspera. O Santander (SANB11) liderou os ganhos com uma alta expressiva de 2,20%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), que avançou 1,44%. O Itaú (ITUB4) cresceu 1,42%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o dia com valorização de 0,66%.

Paralelamente, o dólar comercial encerrou em baixa, cotado a 5,23 reais, refletindo uma melhora no apetite por risco e uma relativa calmaria nos mercados cambiais após o turbilhão dos dias anteriores.

Perspectivas econômicas e expectativas de cortes de juros

Durante o dia, foi divulgado o Livro Bege, relatório do Federal Reserve (banco central dos EUA) que detalha as condições econômicas do país. A autoridade monetária indicou que, no geral, as expectativas são otimistas, com a maioria dos distritos prevendo um crescimento leve a moderado nos próximos meses. O mercado de trabalho americano também foi descrito como estável.

Mesmo com o cenário de guerra, analistas continuam trabalhando com a perspectiva de dois cortes na taxa de juros nos Estados Unidos ainda em 2026. Inicialmente, o primeiro corte era esperado para julho, mas as apostas mais fortes agora apontam para 16 de setembro. A leitura predominante entre especialistas é de dois cortes de 0,25 ponto percentual cada ao longo deste ano.

Incertezas permanecem no horizonte

Santana acrescentou que "o mercado agora aguarda novos desdobramentos geopolíticos para decidir se retoma o movimento defensivo ou se encontra espaço para alguma acomodação, especialmente se surgirem sinais concretos de acordo em relação ao conflito no Oriente Médio". Apesar das declarações tranquilizadoras do governo americano sobre as reservas de petróleo, a guerra continua a gerar um clima de incerteza que pode impactar volatilidade nos índices financeiros globais nas próximas sessões.

Os investidores permanecem atentos a qualquer notícia que possa alterar o curso dos acontecimentos, mantendo uma postura cautelosa diante de um panorama internacional ainda carregado de tensões. A recuperação do Ibovespa, embora bem-vinda, é vista com ressalvas, pois depende diretamente da evolução do conflito e das medidas adotadas pelas potências envolvidas.