Conflito internacional eleva custo do diesel em Uberlândia e provoca reações governamentais
O cenário de guerra no Oriente Médio está provocando impactos diretos no bolso dos consumidores brasileiros, especialmente na cidade de Uberlândia, onde o preço do diesel registrou aumento significativo nas últimas semanas. Segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio do diesel comum na cidade saltou de R$ 5,80 para R$ 6,27 entre os dias 8 e 14 de março, representando uma alta de 8% em relação à primeira semana do mês.
Instabilidade na cadeia de combustíveis
De acordo com postos de combustível consultados pela reportagem, a cadeia de abastecimento está enfrentando instabilidade devido ao conflito internacional, que afeta diretamente os custos do diesel. Este combustível é considerado o mais sensível às oscilações de preço no mercado internacional. A Petrobras confirmou que aumentou o preço do diesel vendido às distribuidoras desde o último sábado (14), elevando o valor médio para R$ 3,65 por litro, uma alta de R$ 0,38 por litro.
O preço praticado em Uberlândia está 0,12 centavos acima da média nacional, que segundo a Petrobras é de R$ 6,15. A pesquisa da ANP, que calcula o valor final ao consumidor incluindo custos do produto, impostos e margens de lucro, foi realizada em nove estabelecimentos da cidade.
Medidas governamentais para mitigar impactos
Em resposta à situação, o governo federal anunciou medidas para tentar reduzir os efeitos do aumento nos postos. Segundo a Petrobras, o impacto do reajuste para o consumidor final será atenuado pela diminuição de impostos e pela subvenção aos produtores anunciadas pelo governo. Entre as ações está a solicitação de ICMS Zero sobre o diesel para os estados, uma medida que busca aliviar a pressão sobre os preços.
Em nota oficial, a estatal afirmou que "em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, reafirma o compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil". No entanto, a empresa destacou que por questões concorrenciais não antecipa decisões sobre manutenção ou reajustes futuros de preços.
Impactos na economia regional
Para o economista Filipe Prado, a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, que tem sua logística baseada predominantemente no transporte rodoviário, sentirá os efeitos do aumento de forma ampliada. "Do alfinete ao remédio, a roupa e a comida, não tem produto que se salve nessa situação", afirmou o especialista, destacando que apenas o setor de serviços, com produção local, sofreria menos.
Prado ressaltou ainda que, em relação aos preços internacionais, o valor do diesel e da gasolina já estava defasado no Brasil, e que a situação atual dependerá da regulação da Petrobras. "Não existe um prazo definido para quando os preços começarão a subir de forma mais generalizada", completou.
Transportadoras se preparam para reajustes
Leonardo Antônio, diretor-executivo do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Triângulo Mineiro (Settrim), alertou que o setor de transportes está discutindo ações diante da situação, uma vez que o diesel é utilizado majoritariamente por veículos pesados como caminhões e carretas.
O cenário aponta para uma reorganização nas transportadoras, que inclui desde a renegociação de contratos até a atualização de tabelas de fretes para manter a competitividade. "Vamos ter que repassar para o consumidor final e para a cadeia de consumo os custos que o setor não consegue absorver. Infelizmente, para a comunidade haverá reajustes nos custos dos produtos e insumos transportados pelas empresas", explicou Antônio.
A instabilidade no mercado de combustíveis, agravada pelo conflito no Oriente Médio, continua sendo monitorada de perto por autoridades, empresários e consumidores, que aguardam os desdobramentos das medidas governamentais anunciadas para conter a escalada de preços.



