“Minha mãe é a pessoa mais guerreira que eu conheço. A melhor pessoa do mundo.” A declaração de Sophia Lorenz é também uma homenagem àquela que nunca perdeu a esperança de vê-la se recuperar de uma grave condição de saúde. Por isso, o Dia das Mães deste ano possui um significado especial para Elizabeth Deschauer e sua filha Sophia.
A jovem, que residia na Alemanha, retornou para Paulínia, no interior de São Paulo, para dar continuidade ao tratamento após despertar de um coma que durou três meses. Segundo relato da família, Sophia chegou a ter apenas 1% de probabilidade de sobrevivência, depois de complicações decorrentes de uma cirurgia para remoção das amígdalas.
O início do drama
O drama familiar começou em novembro do ano passado. Após receber alta da cirurgia, Sophia voltou ao hospital com fortes dores. “Mandou mensagem para mim, mas disse: ‘mãe, não se preocupe’. Quando voltei, minha irmã me ligou aos prantos, dizendo que a Sophia estava em coma e entubada”, relembra Elizabeth, que recebeu a notícia no dia do seu aniversário.
Diante do diagnóstico de que a filha provavelmente permaneceria em estado vegetativo, Elizabeth se agarrou à mínima chance de recuperação. “Eu não pensei no 1% como algo pequeno, pensei como algo grande, porque quando se tem fé, esse 1% se torna 100%”, afirma a mãe. A confiança superou as expectativas médicas. “Nunca acreditei no que os médicos disseram, pois confio muito em Deus e no poder do amor”, completa.
O despertar e o retorno
Elizabeth viajou para a Alemanha para acompanhar a filha. Em uma de suas visitas diárias ao hospital, desejou que Sophia respondesse. “Cheguei e, como todos os dias, coloquei a mão na mão dela, olhei bem nos olhos e falei ‘bom dia, Sophia’. Pensei: quem dera se hoje ela me respondesse”, conta. A resposta veio sem som, mas com movimento dos lábios. Para Sophia, a lembrança é clara: “Foi a primeira pessoa que vi”.
“Não dá para descrever a alegria que estou sentindo. O Dia das Mães tem sido todos os dias desde que ela disse ‘bom dia, mamãe’”, declarou Elizabeth.
Após cinco meses de internação na Alemanha, a família decidiu que a recuperação continuaria no Brasil, motivada pela crença no poder do afeto familiar. “Temos tecnologia e medicina lá, mas não temos esse carinho, esse calor da família. Acreditamos que isso é fundamental”, explica o padrasto de Sophia, Marcos Deschauer Ignácio.
Ainda que o caminho da recuperação exija tempo e paciência, Sophia celebra o apoio recebido. “Foi muito bom ter minha família perto, principalmente minha mãe. Minha mãe é a mãe da minha vida”, define a jovem.
Outras histórias de superação
A médica Cristiane Gotschall enfrentou uma situação extrema durante a pandemia. Com mais de 90% dos pulmões comprometidos pela Covid-19, foi internada e deu à luz seu segundo filho em coma, sem presenciar o nascimento. O primeiro encontro com o bebê aconteceu 21 dias depois. “Quando acordei, ainda entubada, meu marido estava ao lado. Ele disse que a primeira coisa que fiz foi apontar para a barriga”, relata. Ela destaca os desafios da maternidade: “Não existe mãe perfeita, mas todas merecem admiração e respeito, pois vivemos num mundo em que a mãe trabalha, cuida da casa, de si mesma e dos filhos com amor – não é fácil”.
Já a piloto de avião Audrey Pires consolidou a carreira antes de ser mãe. “Sempre sonhei com a profissão e, perto dos 30 anos, comecei a querer muito ser mãe”. Com a filha Olívia, ela descreve a rotina como um “caos normalizado”. “É difícil aceitar que a casa vai estar bagunçada de vez em quando, ou que a criança às vezes não vai tomar banho porque dormiu”. Audrey ressalta a importância da rede de apoio: babá, pais e marido. Grávida do segundo filho, Davi, ela reforça que o parceiro não é “ajuda”, mas sim um parceiro.



