Guerra no Irã já eleva preços de combustíveis no Brasil, dizem distribuidoras
Apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes oficiais, os preços dos combustíveis no país já começam a ser impactados pela guerra no Irã. Distribuidoras e a maior refinaria privada brasileira iniciaram o repasse da alta de custos aos clientes, em um movimento que deve chegar ao consumidor final em breve.
Distribuidoras repassam alta internacional
As distribuidoras argumentam que a escalada das cotações internacionais do produto encareceu as importações e vem elevando os preços de venda aos postos. Com mercado concentrado no Nordeste, a refinaria de Mataripe promoveu dois reajustes no diesel e um na gasolina após o início do conflito no Oriente Médio.
A reportagem apurou que postos de ao menos quatro estados – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná – estão pagando valores mais altos pelos combustíveis e, como consequência, subirão o preço ao consumidor final. Sindicatos de revendedores evitam falar em valores específicos, mas um dono de postos na capital paulista revelou que tem recebido diesel R$ 0,26 por litro mais caro desde o início da semana.
Comunicações das empresas e posicionamento
O Paranapetro, que representa os postos do Paraná, fala em "alta expressiva" e critica a agilidade das distribuidoras: "As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na íntegra".
Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a Ipiranga informou que, "devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços do petróleo e derivados, haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março". Em nota enviada à reportagem, a empresa destacou que os custos do setor são influenciados por diversos fatores, incluindo que cerca de 30% do diesel consumido no país é importado.
Raízen e Vibra, as outras duas grandes empresas do setor, não quiseram comentar o assunto. A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) alertou que as defasagens dos preços dos combustíveis em relação ao mercado internacional atingiram níveis recordes e defendeu repasses ao consumidor interno.
Contexto internacional e posição da Petrobras
Na abertura do mercado, o preço do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela entidade. Para a gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro em média no mercado e de R$ 0,47 por litro nas refinarias da Petrobras.
A Petrobras afirma que segue avaliando o cenário e que só promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos patamares. Nesta quinta-feira, o petróleo seguia em alta, com a cotação do Brent subindo cerca de 4% e se aproximando dos US$ 85 por barril.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do combustível no país em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.
