Gol registra prejuízo de R$ 1,3 bilhão em 2025, mas melhora 78% em relação a 2024
A companhia aérea Gol divulgou resultados financeiros que mostram um cenário de desafios e avanços. No quarto trimestre de 2025, a empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 1,39 bilhão, o que representa uma redução expressiva de 72,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado de todo o ano de 2025, o prejuízo totalizou R$ 1,3 bilhão, marcando uma melhora ainda mais significativa de 78,5% em relação a 2024.
Essas informações foram publicadas em um documento enviado ao mercado na madrugada de terça-feira, 31 de março de 2026, revelando os bastidores da situação econômica da empresa.
Impacto das despesas financeiras no resultado
O prejuízo ocorreu principalmente porque as despesas financeiras superaram o resultado operacional da companhia. Em 2025, a Gol teve um resultado operacional positivo de R$ 1,84 bilhão, mas as despesas financeiras, impulsionadas pelos juros dos empréstimos, consumiram esse montante ao atingirem cerca de R$ 3 bilhões. Isso indica que, embora a empresa tenha saído da recuperação judicial, ela ainda enfrenta problemas significativos devido ao seu alto endividamento.
A situação destaca a complexidade da gestão financeira em um setor competitivo como o da aviação, onde os custos operacionais e as dívidas podem pesar fortemente nos resultados finais.
Crescimento em receita e Ebitda
Apesar do prejuízo, a Gol apresentou indicadores positivos em outras áreas. O Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda) recorrente foi de R$ 6,4 bilhões no acumulado de 2025, um aumento impressionante de 188% em comparação com 2024. Segundo a companhia, esse número reflete uma maior geração de receitas, com a margem EBITDA subindo 3,3 pontos percentuais no mesmo período.
A receita líquida totalizou R$ 22,1 bilhões em 2025, um crescimento de 15,5% em relação a 2024. Todos os indicadores de receita mostraram avanços anuais, incluindo:
- Receita líquida total por assento ofertado por quilômetro: avanço de 1,6%.
- Tarifa média: aumento de 1,6%.
- Receita de passageiros por assento ofertado por quilômetro: crescimento de 2%.
Redução da alavancagem e expansão operacional
A alavancagem líquida da Gol atingiu 3,2 vezes ao final de 2025, uma redução considerável em relação aos 6,1 vezes do ano anterior. Essa diminuição sugere que a empresa está fazendo progressos na gestão de sua dívida, embora os desafios persistam.
Paralelamente, a Gol anunciou recentemente o início de operações de voos regionais a partir do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A expansão inclui destinos para cidades do interior paulista, além de localidades no Paraná e em Minas Gerais, representando um aumento de 115% no número de decolagens e de assentos ofertados nessas rotas.
Essa movimentação estratégica pode ajudar a impulsionar a receita futura e fortalecer a posição da empresa no mercado doméstico, mesmo diante dos obstáculos financeiros atuais.



