Prefeitura nega alvará para Ocean Club em Alphaville, mas vendas de títulos seguem abertas
Ocean Club em Alphaville tem alvará negado, mas vendas continuam

Prefeitura de Santana de Parnaíba nega alvará para Ocean Club em Alphaville

A Prefeitura de Santana de Parnaíba negou, na segunda-feira (16), o pedido de alvará de construção do Ocean Club, um empreendimento de clube de surfe com ondas artificiais previsto para Alphaville, na Grande São Paulo. A decisão foi baseada na ausência da Certidão de Diretrizes, documento obrigatório para projetos de grande porte que define parâmetros técnicos como uso do solo, impactos de vizinhança e aspectos ambientais.

Vendas continuam apesar da negativa

Mesmo sem a autorização municipal, o Ocean Club segue com vendas abertas de títulos, que são uma espécie de "chave de acesso" ao clube privado. Os valores anunciados começam em R$ 300 mil à vista ou R$ 429 mil em até 36 parcelas. A abertura do local está prevista para dezembro de 2028, mas especialistas alertam que a comercialização nesse estágio é irregular.

De acordo com a advogada imobiliária Ana Luiza Martins Taques, sócia da Siqueira Castro, "é ilegal a venda de títulos, cotas ou unidades de empreendimentos que ainda não tenham aprovação urbanística e registro em cartório". Ela explica que, sem o registro do empreendimento, o comprador fica sem garantia jurídica, podendo enfrentar dificuldades para recuperar o valor pago em caso de problemas.

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Questões ambientais aumentam complexidade

O projeto está planejado para uma área que, segundo a própria prefeitura, possui nascentes, cursos d’água e trechos classificados como Área de Preservação Permanente (APP). Essas áreas são protegidas por lei, e construções só são permitidas em casos excepcionais, com autorização ambiental após estudos técnicos.

A advogada ambiental Letícia Yumi Marques destaca que a presença de nascentes e cursos d’água pode aumentar a complexidade da aprovação. "A legislação ambiental estabelece a necessidade de identificar eventuais impactos negativos nessas áreas específicas, que podem demandar medidas de mitigação ou até levar ao indeferimento da licença", afirma.

Protestos de moradores e irregularidades

O empreendimento tem sido alvo de críticas de moradores desde o fim de 2025, com protestos realizados em fevereiro em frente ao estande de vendas em Barueri. Entre as preocupações estão os possíveis impactos ambientais e a legalidade da comercialização antes das aprovações necessárias.

Além disso, documentos do Conselho de Defesa do Meio Ambiente Municipal Sustentável (Condemas) indicam que a área já foi notificada pelo poder público devido à instalação de um contêiner em APP. O clube afirmou que a situação foi regularizada após notificação.

Estrutura de alto padrão e justificativa do empreendimento

Segundo material de divulgação, o Ocean Club prevê uma estrutura de lazer e esportes de alto padrão, incluindo:

  • Praia artificial de cerca de 12 mil m²
  • Piscina de ondas
  • Piscinas adulto e infantil
  • Raia olímpica de 50 metros
  • Academia
  • Espaço de bem-estar
  • Piscina aquecida coberta

A área total do clube é de aproximadamente 914 mil metros quadrados, integrada a mais de 600 mil metros quadrados de área verde preservada. O projeto alega "contribuir para a proteção de um dos principais patrimônios ambientais da região".

Posicionamento do Ocean Club

Em nota, o Ocean Club afirmou que o projeto está em fase preliminar e que todas as licenças e autorizações estão sendo solicitadas conforme o andamento das etapas. A empresa destacou que "não realizou nem realizará medida nenhuma sem prévia obtenção das licenças e autorizações devidas" e que a apresentação do projeto a interessados é uma prática usual nesse tipo de iniciativa.

O clube também mencionou que a negativa do alvará se deveu apenas à necessidade de apresentar documentos adicionais, não por inviabilidade do projeto, e que as autorizações serão solicitadas no tempo e modo adequados.

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