Uberlândia investe apenas R$ 70 por habitante em saneamento, ficando entre as piores do país
Uberlândia investe só R$ 70/habitante em saneamento, entre piores

Uberlândia fica entre as piores cidades em investimento per capita em saneamento básico

Um levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados revelou uma situação preocupante para Uberlândia no que diz respeito aos investimentos em saneamento básico. O município investiu apenas R$ 69,89 por habitante em 2024, valor que representa aproximadamente um terço do considerado ideal pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), do Ministério das Cidades, que estabelece R$ 225 por pessoa como patamar suficiente.

Queda significativa no ranking nacional

Essa cifra colocou Uberlândia como a 22ª pior cidade entre as 100 mais populosas do país em termos de investimento por morador na área de saneamento. Como consequência direta, o município despencou 10 posições no ranking geral, caindo da 11ª para a 21ª colocação. O estudo, que utiliza dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), avalia indicadores como abastecimento de água, esgotamento sanitário, tratamento de esgoto, perdas na distribuição e, principalmente, investimentos por habitante.

Uberlândia integra o grupo das 51 maiores cidades brasileiras que investem menos da metade do valor ideal estabelecido pelo Plansab para a universalização dos serviços. Em contraste, Praia Grande, no litoral paulista, lidera o ranking com impressionantes R$ 572,87 investidos por habitante.

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Redução preocupante nos investimentos

Os dados são ainda mais alarmantes quando analisados em perspectiva temporal. Em comparação com o ranking anterior, Uberlândia reduziu em 24,5% o valor investido por habitante, que anteriormente era de R$ 92,62. Considerando um período de cinco anos, entre 2020 e 2024, o município aplicou R$ 263,82 milhões em saneamento, o que o coloca como a 48ª cidade que mais investiu no setor nesse intervalo.

Contudo, esse montante representa uma queda de 20,13% em relação ao estudo publicado em 2025, que abrangia os investimentos realizados entre 2019 e 2023, quando Uberlândia havia destinado R$ 330,31 milhões para o setor.

Posicionamento crítico do Dmae

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Uberlândia emitiu uma nota oficial contestando veementemente a metodologia utilizada pelo Instituto Trata Brasil. Segundo a autarquia municipal, o estudo privilegia grandes investimentos em estrutura e expansão de serviços, não servindo como parâmetro adequado para cidades que já possuem sistema consolidado e eficiente.

"A metodologia utilizada hoje pelo Instituto Trata Brasil não reflete a qualidade do serviço de saneamento entregue à população", afirmou o Dmae, destacando que o foco de Uberlândia está na eficiência operacional e sustentabilidade econômica e financeira.

Indicadores positivos apontados pelo município

O Dmae apresentou dados que contradizem a posição desfavorável no ranking. De acordo com informações do SINISA 2025, Uberlândia apresenta aproximadamente 98% de cobertura de abastecimento de água, significativamente acima da média nacional de 92,1%. No tratamento de esgoto, o município alcança cerca de 80%, bem superior à média brasileira de aproximadamente 52%.

Outro indicador destacado foi o índice de perdas na distribuição, que gira em torno de 21% em Uberlândia, quase metade da média nacional, que se aproxima de 40%. A autarquia municipal ressaltou ainda que a cidade possui mais de 3.200 km de rede de água e 2.400 km de rede de esgoto, com capacidade hídrica para atender até 3 milhões de pessoas.

"A qualidade do saneamento deve ser medida pelos resultados entregues à população, como qualidade da água, regularidade no abastecimento, segurança hídrica e eficiência operacional, aspectos em que Uberlândia é referência nacional", completou o Dmae, mencionando que a cidade recebe periodicamente visitas de órgãos de saneamento de várias localidades em busca de conhecimento técnico.

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Metodologia em discussão

O Departamento Municipal de Água e Esgotos também criticou a mudança metodológica do estudo, que passou a utilizar indicadores baseados na população atendida pela rede formal de abastecimento. Segundo o Dmae, esse critério pode não refletir integralmente a realidade de áreas não regularizadas, como assentamentos que são atendidos por soluções alternativas, mas não estão oficialmente conectados à rede.

O Instituto Trata Brasil divulga os resultados municipais de saneamento desde 2009, tornando-se uma referência nacional na avaliação do setor. A controvérsia entre os dados apresentados pelo estudo e a defesa feita pelo Dmae coloca em evidência o debate sobre como medir efetivamente a qualidade e eficiência dos serviços de saneamento básico no Brasil.