EUA ordenam embaixadas a combater propaganda estrangeira com campanhas no X e influenciadores
Os Estados Unidos emitiram uma orientação formal para todas as suas embaixadas e consulados ao redor do mundo, instruindo-os a lançar campanhas coordenadas contra propaganda estrangeira e desinformação. A medida, revelada através de um comunicado interno divulgado pelo jornal britânico The Guardian nesta terça-feira, 31 de março de 2026, estabelece um conjunto abrangente de ações para que diplomatas enfrentem o que o governo americano classifica como tentativas organizadas de outros países para prejudicar seus interesses no exterior.
Plano estratégico para neutralizar mensagens hostis
O documento, assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, detalha uma estratégia multifacetada que inclui a cooperação direta com a unidade de operações psicológicas das Forças Armadas, conhecida como Operações de Apoio à Informação Militar (MISO, na sigla em inglês), que está vinculada ao Pentágono. Segundo o texto, essas campanhas estrangeiras buscam transferir a culpa para os Estados Unidos, semear divisão entre aliados, promover visões de mundo alternativas antitéticas aos interesses americanos e até mesmo minar os interesses econômicos e liberdades políticas do país.
O plano lista cinco objetivos principais para as embaixadas:
- Neutralizar mensagens hostis e desinformação propagadas por adversários.
- Ampliar o acesso à informação precisa e confiável para populações locais.
- Expor publicamente as ações e intenções de países considerados adversários.
- Promover vozes locais que estejam alinhadas com os interesses e valores dos Estados Unidos.
- Reforçar a narrativa institucional americana, destacando seus princípios democráticos e de liberdade.
Recrutamento de influenciadores e uso da plataforma X
Para alcançar esses objetivos, o governo americano orienta que as representações diplomáticas recrutem ativamente influenciadores digitais, acadêmicos e líderes comunitários nos países onde atuam. A intenção é difundir conteúdos que pareçam orgânicos e não diretamente ligados ao governo dos Estados Unidos, criando uma aparência de autenticidade e engajamento local. Além disso, mais de 700 centros culturais financiados por Washington, conhecidos como "American Spaces", devem ser reposicionados como plataformas de acesso à informação sem censura e promovidos como zonas de liberdade de expressão.
As diretrizes também recomendam explicitamente o uso da plataforma X, a rede social de Elon Musk, como uma ferramenta "inovadora" nesse esforço global. No entanto, essa menção ocorre em um contexto de críticas internacionais significativas. A União Europeia, por exemplo, multou a plataforma em 120 milhões de euros com base na Lei de Serviços Digitais e mantém investigações em andamento sobre seus sistemas de inteligência artificial e algoritmos de recomendação.
Contexto geopolítico e implicações
Esta iniciativa surge em meio a um cenário de crescentes tensões geopolíticas e conflitos internacionais, onde a desinformação e a propaganda são frequentemente utilizadas como armas em disputas de poder. O plano americano visa não apenas contra-atacar narrativas consideradas prejudiciais, mas também fortalecer a posição dos Estados Unidos como um defensor da verdade e da democracia em escala global. A mobilização de recursos diplomáticos, militares e de mídia social reflete uma abordagem integrada para proteger a segurança nacional e os interesses estratégicos do país.
Embora o governo americano afirme que essas ações são necessárias para combater ameaças diretas, críticos podem argumentar que a estratégia representa uma forma de propaganda própria, levantando questões sobre transparência e ética na comunicação internacional. A eficácia e as consequências deste plano coordenado serão observadas de perto por analistas e governos ao redor do mundo nos próximos meses.



