Gasolina atinge quase R$ 7 em Salvador após reajuste da Refinaria de Mataripe
Os motoristas de Salvador já sentem diretamente no bolso os impactos dos reajustes nos preços dos combustíveis anunciados pela Refinaria de Mataripe na última quinta-feira, dia 5 de março. A Acelen, empresa proprietária da refinaria, confirmou aumentos significativos que foram imediatamente repassados aos consumidores nos postos de combustível da capital baiana.
Reajustes expressivos nos combustíveis
De acordo com a Acelen, os reajustes aplicados às distribuidoras foram de 11,8% para a gasolina e atingiram impressionantes 17,9% no caso do diesel s500. Esses aumentos refletiram rapidamente nas bombas dos postos, onde os consumidores já encontram o litro da gasolina comum sendo vendido por valores que chegam a R$ 6,99 em diversos estabelecimentos de Salvador.
Em nota oficial, a empresa esclareceu que seus preços seguem critérios de mercado que consideram variáveis como:
- Custo do petróleo adquirido a preços internacionais
- Variações cambiais
- Custos de frete e logística
Cenário internacional influencia preços
Apesar de a Acelen não especificar os motivos exatos para o reajuste do dia 5 de março, o Sindicombustíveis da Bahia aponta que as tensões geopolíticas no Oriente Médio já estão interferindo diretamente nos valores do petróleo no mercado internacional.
"Ninguém esperava que houvesse um conflito no sábado. No próprio sábado, o mercado internacional já apontou para um aumento considerável do barril do petróleo", explicou Marcelo Travassos, secretário executivo do Sindicombustíveis Bahia.
Travassos detalhou ainda que "o barril estava sendo comercializado a 71 dólares e subiu para 80. Hoje já está em 85 dólares. Imagina esse posto que comprava por um preço e hoje está pagando mais ou menos pelo preço que ele vendia".
Impacto prático para os motoristas
Na prática, os motoristas que abastecem em Salvador encontram hoje a gasolina pelo menos R$ 0,30 mais cara por litro, enquanto o diesel apresenta aumento ainda mais expressivo de R$ 0,80 no litro.
Confira alguns exemplos de preços encontrados em diferentes bairros da capital baiana:
- Gasolina comum por R$ 6,99 - Posto Shell Paralela, Posto Pinto de Aguiar, Jagua Combustível (Magalhães Neto) e Posto Armação
- Gasolina comum por R$ 6,91 - Horto Florestal
- Gasolina comum por R$ 6,89 - Pituba e Granjas Rurais
- Gasolina comum por R$ 6,84 - Patamares
- Gasolina comum por R$ 6,79 - Armação, Pirajá e Comércio
Detalhes dos reajustes para distribuidoras
Os valores específicos do reajuste anunciado pela Acelen para as distribuidoras foram:
- Diesel s10 – de R$ 3,56 para R$ 4,18 (aumento de 17,4%)
- Diesel s500 – de R$ 3,46 para R$ 4,08 (aumento de 17,9%)
- Gasolina – de R$ 2,53 para R$ 2,83 (aumento de 11,8%)
A empresa ressaltou que mantém uma política de preços transparente, baseada em critérios técnicos e alinhada com as práticas internacionais de mercado.
Histórico recente de aumentos
Analisando o histórico recente, observa-se uma trajetória ascendente nos preços:
Gasolina
26/02/2026: R$ 2,5845 por litro
05/03/2026: R$ 2,8845 por litro (maior valor desde 2 de outubro de 2025, quando foi registrado R$ 2,8940 por litro)
Diesel s10
26 de fevereiro: R$ 3,3309 por litro
4 de março: R$ 3,6108 por litro
5 de março: R$ 4,2316 por litro (maior valor desde 5 de outubro de 2023, quando custou R$ 4,4638 por litro)
Perspectivas preocupantes para o futuro
Em entrevista à TV Bahia, Marcelo Travassos alertou que os preços da gasolina devem continuar oscilando conforme o desenrolar do conflito no Oriente Médio. "Agora imagine, se você tem um impacto em 40, 50 litros, imagine o posto que compra 30 mil litros? O impacto no fluxo financeiro deles...", pontuou o dirigente sindical.
Travassos destacou ainda uma situação peculiar da Bahia: "É uma situação muito delicada principalmente porque temos nove estados que fazem fronteiras com a Bahia. Nosso produto vem da Acelen, que utiliza o preço internacional como parâmetro para precificação dos seus derivados, enquanto a Petrobras não usa esse parâmetro".
O diretor exemplificou a discrepância de custos entre cidades fronteiriças, citando o caso de Juazeiro (Bahia) e Petrolina (Pernambuco), separadas por apenas 600 metros de ponte, mas com diferença de aproximadamente R$ 1,50 no preço do combustível.
"Evidentemente que esses postos de estradas na Bahia vão sofrer, porque nosso estado é continental, que tem aproximadamente cinco BRs, que cortam norte, sul, leste e oeste, e que tem fronteiras com esses estados que são abastecidos pelo sistema Petrobras", concluiu Travassos, alertando para os desafios logísticos e econômicos que os aumentos representam para o estado.



