Dívida Pública Federal dispara 18% em 2025 e projeta crescimento alarmante para 2026
Os dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, revelam um cenário preocupante para as contas públicas brasileiras. A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou o ano de 2025 com um salto expressivo de 18%, alcançando a marca de R$ 8,635 trilhões. Esse valor representa um aumento de mais de R$ 1 trilhão em comparação com o fechamento de 2024, quando a dívida estava em R$ 7,316 trilhões.
Projeções alarmantes para 2026 e o impacto dos juros elevados
As projeções do Tesouro Nacional para o ano de 2026 são ainda mais impactantes. A estimativa indica que a dívida pública pode crescer até 19,3%, encerrando o período entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Se confirmada a banda superior, a marca simbólica dos R$ 10 trilhões será ultrapassada, refletindo uma pressão contínua sobre as finanças do governo.
Um dos fatores centrais para esse crescimento acelerado é o custo da dívida. A taxa de juros média paga pelo governo em seus títulos subiu de 12,9% em dezembro de 2024 para 14,4% no final de 2025. Esse aumento significativo nos juros contribui para que a dívida se expanda rapidamente, mesmo sem a emissão de novos créditos, pois os encargos financeiros se acumulam sobre o estoque existente.
Composição da dívida e o papel do déficit primário
A análise da composição da dívida mostra que o avanço em 2025 foi puxado principalmente pela dívida interna. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) chegou a R$ 8,309 trilhões em dezembro, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, quando estava em R$ 6,966 trilhões. Esse segmento representa 96% do total do endividamento federal, destacando sua predominância na estrutura da dívida.
Em contrapartida, a dívida externa encolheu 6%, saindo de R$ 349 bilhões no fim de 2024 para R$ 326,07 bilhões em 2025. No entanto, esse recuo não foi suficiente para compensar o crescimento expressivo da dívida interna.
Outro elemento crucial é o déficit primário, que ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada. Essa situação, que persiste há praticamente uma década, força o Tesouro a emitir mais dívida para cobrir as despesas, alimentando ainda mais o ciclo de endividamento. A combinação de juros altos e déficit nas contas federais cria um ambiente propício para a escalada da dívida pública, impactando não apenas as finanças governamentais, mas também o bolso dos cidadãos, que indiretamente arcam com esses custos.
Implicações para a economia e o futuro das contas públicas
O crescimento acelerado da dívida pública federal traz sérias implicações para a economia brasileira. Entre os principais pontos de atenção, destacam-se:
- Pressão sobre os gastos públicos: Com uma parcela maior do orçamento destinada ao pagamento de juros, há menos recursos disponíveis para investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
- Risco de desconfiança do mercado: Níveis elevados de endividamento podem afetar a credibilidade do país, influenciando negativamente as taxas de juros futuras e a capacidade de captação de recursos.
- Impacto na inflação e no crescimento econômico: A necessidade de controlar a dívida pode levar a políticas fiscais mais restritivas, que, por sua vez, podem frear a atividade econômica e afetar o poder de compra da população.
Diante desse cenário, o desafio para o governo em 2026 será equilibrar as contas públicas, buscando reduzir o déficit primário e conter a escalada dos juros, a fim de evitar que a dívida atinja patamares ainda mais críticos. A transparência nos dados, como demonstrado no Relatório Mensal da Dívida, é um passo importante, mas ações concretas serão necessárias para reverter essa tendência de crescimento.