Pesquisa revela que dois em cada três brasileiros estão endividados e 41% não pagam empréstimos a familiares
Dois em cada três brasileiros estão endividados, mostra Datafolha

Endividamento atinge dois terços da população brasileira, com inadimplência em empréstimos familiares

Uma pesquisa abrangente do Instituto Datafolha, divulgada neste sábado (18), revela um cenário preocupante sobre as finanças pessoais dos brasileiros. O estudo, realizado entre os dias 8 e 9 de abril de 2026, com 2.002 entrevistados distribuídos proporcionalmente por todas as regiões do país, mostra que dois em cada três cidadãos – equivalente a 66% da população – estão atualmente endividados.

Inadimplência se estende além das instituições financeiras

O levantamento vai além das dívidas tradicionais com bancos e cartões de crédito, expondo uma realidade ainda mais delicada: 41% dos brasileiros que contraíram empréstimos com conhecidos, incluindo amigos e familiares, não conseguiram honrar esses compromissos financeiros. Essa situação revela como o endividamento tem impactado até mesmo as relações pessoais mais próximas.

Crédito rotativo: o mecanismo que prende os consumidores

Entre os entrevistados, 27% admitiram utilizar o crédito rotativo, embora com frequências variadas. Desse total, apenas 5% recorrem habitualmente a essa modalidade, enquanto 22% o fazem de forma ocasional ou rara. É fundamental destacar que o rotativo é ativado automaticamente quando o cliente paga apenas o valor mínimo da fatura, incidindo juros extremamente elevados sobre o saldo remanescente, o que frequentemente agrava a situação financeira dos consumidores.

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Perfil das dívidas: cartões, bancos e carnês lideram

Considerando especificamente os brasileiros que já estão endividados, a pesquisa detalha os tipos de compromissos financeiros em atraso:

  • 29% estão inadimplentes nos parcelamentos de cartão de crédito
  • 26% não quitaram empréstimos bancários
  • 25% têm pendências em carnês de lojas

Contas de serviço: outra frente de inadimplência

O estudo também mapeou as dívidas relacionadas a contas de consumo e serviços essenciais, revelando que 28% dos entrevistados possuem débitos em atraso nessa categoria. As contas mais citadas pelos inadimplentes incluem:

  1. Telefonia e internet: 12%
  2. Tributos (IPTU, IPVA e carnê-leão): 12%
  3. Energia elétrica: 11%
  4. Água: 9%

Aperto financeiro atinge 45% dos brasileiros

A sensação de "aperto financeiro" é uma realidade concreta para grande parte da população, segundo os dados coletados. A partir de um índice que mensura oito tipos diferentes de restrições orçamentárias – incluindo cortes de consumo e situações de inadimplência –, a pesquisa identificou que 45% dos brasileiros vivem sob forte pressão econômica: 27% em situação classificada como "apertada" e 18% em condição considerada "severa".

Estratégias de sobrevivência financeira

Para equilibrar as contas em meio a esse cenário desafiador, os brasileiros têm adotado diversas estratégias de sobrevivência financeira:

  • 64% sacrificaram o lazer como primeiro item de corte
  • 60% reduziram as refeições fora de casa
  • 60% trocaram marcas por opções mais baratas
  • 52% diminuíram a compra de alimentos
  • 50% cortaram gastos com água, luz e gás

Impacto nas obrigações essenciais

O sufoco financeiro se reflete também no cumprimento de obrigações básicas: 40% dos entrevistados admitiram deixar contas vencerem sem pagamento, enquanto 38% suspenderam o pagamento de dívidas ou a compra de medicamentos essenciais.

Preocupação financeira é o maior problema pessoal

A pesquisa revelou ainda que, quando questionados espontaneamente sobre seu maior problema pessoal, 37% dos brasileiros apontaram fatores financeiros como principal preocupação. Entre as razões mais citadas estão a baixa renda, o endividamento crescente e o alto custo de vida, que continuam a pressionar o orçamento familiar.

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%, garantindo robustez estatística aos resultados apresentados. Esses dados oferecem um retrato detalhado das dificuldades financeiras que afetam milhões de brasileiros em todas as regiões do país.

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