Dólar em alta e petróleo sobe com tensões no Oriente Médio; veja impactos
Dólar sobe e petróleo dispara com conflito no Oriente Médio

Dólar em alta e petróleo dispara com escalada de tensões no Oriente Médio

O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (6) em alta, cotado a R$ 5,31, conforme investidores seguem cautelosos diante da escalada das tensões no Oriente Médio. Já as operações no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam apenas às 10h.

Conflito no Oriente Médio pressiona mercados e preços do petróleo

O aumento das tensões no Oriente Médio voltou a guiar os mercados nesta sexta-feira. Este sétimo dia de conflito começou com novos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e ao Líbano. O governo americano afirmou que entrou em uma nova fase da guerra, que envolve um "aumento drástico" do poder de fogo sobre o território iraniano, novos ataques ao programa de mísseis de Teerã e bombardeios à "infraestrutura do regime" dos aiatolás.

Com temores sobre eventuais impactos do conflito no mercado de petróleo, a commodity sinalizava mais um dia de alta. Pela manhã, os índices futuros do barril do Brent, referência internacional, subiam mais de 4% perto das 9h, cotado a US$ 88,85.

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Preocupação com bloqueio do Estreito de Ormuz afeta fornecimento global

A preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz e as incertezas sobre a duração da guerra se refletiram nos preços do petróleo. O barril do Brent subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 6,38%, para US$ 79,42.

Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque. Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra.

Segundo dados de empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem. Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias.

Caso o bloqueio continue, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo.

Agenda econômica: desemprego no Brasil e dados dos EUA em foco

Na agenda econômica, o destaque fica com os novos dados do payroll, relatório de emprego oficial dos Estados Unidos. O indicador deve dar novos sinais sobre quais podem ser os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros do país.

No Brasil, a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado.

Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, destacou que, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. "Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho", explicou.

Mercados globais reagem com volatilidade ao cenário internacional

Em Wall Street, a escalada das tensões no Irã voltou a pressionar os mercados americanos. Perto das 17h30, o índice Dow Jones recuava 1,83%. O S&P 500 caía 1,02%, e o Nasdaq Composite tinha baixa de 0,64%.

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As bolsas europeias encerraram o pregão desta quinta-feira no campo negativo, em meio a um cenário internacional ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,29%, aos 604,83 pontos.

Já os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional. A pressão vinda da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas. No fechamento, o índice de Xangai avançou 0,6%, enquanto o CSI300 subiu 1%.

Casos locais: prisão de banqueiro e resultado da Petrobras

No noticiário local, as atenções seguiam voltadas aos desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro chegou nesta quinta-feira à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e deve ficar em isolamento por 10 dias.

A nova fase da Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro comandava uma "milícia privada" chamada "A Turma". O grupo era usado para intimidar e espionar adversários e também acessava ilegalmente sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol. Dois servidores do Banco Central também estariam envolvidos.

O resultado da Petrobras, divulgado na véspera, também fica no radar dos investidores, completando um cenário de múltiplas variáveis que influenciam os mercados financeiros nesta sexta-feira.