Dólar em alta com tensões geopolíticas e atenção a juros globais
O dólar comercial abriu nesta sexta-feira (20) em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,2373, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, iniciou o pregão às 10h. A movimentação ocorre em uma semana de forte volatilidade, com investidores atentos às tentativas dos Estados Unidos e de Israel para conter a crise de energia provocada pela guerra no Oriente Médio, que tem impactado mercados globais.
Crise energética e discursos acalmam mercados
Após uma disparada recente, o petróleo recuou nesta sexta-feira, embora ainda opere em patamares elevados. O Brent, referência global, era negociado a US$ 108,01 por volta das 8h46 (horário de Brasília). O gás natural na Europa, que chegou a subir 35%, opera próximo da estabilidade, com leve alta de 0,08%.
As medidas de estabilização incluem ações da Casa Branca, como a possível flexibilização de sanções ao petróleo iraniano e a liberação de reservas estratégicas. O presidente dos EUA, Donald Trump, tentou sinalizar estabilidade ao mercado na quinta-feira. Simultaneamente, um discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, trouxe alívio ao indicar que a tensão pode não se estender, reduzindo a aversão ao risco.
Decisões de bancos centrais e cenário local
Os principais bancos centrais — Federal Reserve, Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco Nacional Suíço e Banco do Japão — optaram por manter os juros estáveis, enquanto monitoram os impactos econômicos do conflito. No Brasil, o Banco Central reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte desde maio de 2024, mas sinalizou cautela devido às incertezas com a guerra e os preços do petróleo.
Com isso, o Brasil mantém o segundo maior juro real do mundo, com 9,51%, atrás apenas da Turquia (10,38%) e à frente da Rússia (9,41%). Juros altos nos EUA, mantidos entre 3,50% e 3,75%, tendem a fortalecer o dólar e podem pressionar a inflação no Brasil, dificultando cortes futuros.
Impactos no mercado de combustíveis e política
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) cobrou mais oferta de combustíveis da Petrobras, mas afirmou não ver risco de desabastecimento. A ANP reforçou o monitoramento do mercado, enquanto distribuidoras apontam alta na demanda e menor oferta. Um levantamento mostra que o preço do diesel já chegou a uma média de R$ 7,22, ante R$ 5,74 no início da guerra.
No campo político, os investidores analisam a indicação do secretário-executivo Dario Durigan para comandar o ministério até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a saída de Haddad para concorrer ao governo de São Paulo.
Desempenho acumulado e mercados globais
O dólar acumula queda de 1,86% na semana, alta de 1,58% no mês e baixa de 4,98% no ano. O Ibovespa acumula alta de 1,47% na semana, queda de 4,51% no mês e alta de 11,88% no ano.
Em Wall Street, as principais bolsas fecharam em queda: Dow Jones caiu 0,44%, S&P 500 recuou 0,24% e Nasdaq teve baixa de 0,28%. Na Europa, índices como FTSE 100 (Reino Unido), DAX (Alemanha) e CAC 40 (França) também recuaram, refletindo tensões geopolíticas. Na Ásia, bolsas como Xangai, Hong Kong e Tóquio fecharam em queda, com investidores cautelosos diante do conflito e incertezas econômicas.
Escalação no Oriente Médio e perspectivas
A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova fase, com o Irã anunciando ataques a instalações de energia ligadas aos EUA em resposta a bombardeios atribuídos a Israel. A escalada começou após um ataque ao campo de gás South Pars, no Irã, e ganhou força com retaliações que atingiram estruturas energéticas em Catar e Arábia Saudita.
Benjamin Netanyahu declarou que o Irã está sendo "dizimado", citando seu arsenal de mísseis e drones como ponto estratégico. O governo Trump teria apoiado a ofensiva inicial, mas tenta conter novos ataques, avaliando os próximos passos conforme a reação iraniana.
Os mercados continuam monitorando de perto a evolução do conflito e seus efeitos na economia global, com atenção especial aos preços da energia e às políticas monetárias.



