Ex-diretor do BC alerta: dólar pode disparar para R$ 7 ou cair a R$ 4,50 após eleições
Dólar pode ir a R$ 4,50 ou R$ 7 após eleições, diz ex-diretor do BC

Ex-diretor do BC projeta cenários extremos para o dólar após as eleições de outubro

Na contramão das expectativas do mercado financeiro, o ex-diretor do Banco Central Fabio Kanczuk defende que a taxa básica de juros, a Selic, deveria permanecer estacionada nos atuais 15% por pelo menos mais meio ano. Em entrevista exclusiva, Kanczuk, que hoje atua como diretor de macroeconomia da instituição financeira ASA, argumenta que qualquer projeção econômica só é válida até as eleições de outubro, pois o cenário pós-pleito pode variar drasticamente.

Inflação e a necessidade de juros altos

A Selic está fixada em 15% desde junho do ano passado, seu maior patamar em duas décadas. Essa decisão ocorre em um contexto de inflação persistente acima do centro da meta, que é de 3%. O IPCA, indicador oficial de preços, permanece acima dos 4%, e as projeções de mercado indicam que nem até 2029 a inflação conseguirá cair para menos de 3,5%.

Kanczuk, que ajudou a desenhar o modelo de projeção de inflação e calibragem da Selic usado atualmente pelo Copom durante sua passagem pelo Banco Central em 2020, afirma: "Só se a Selic ficasse parada em 15% por pelo menos mais meio ano a inflação voltaria para os 3%".

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O impacto das eleições no cenário econômico

Segundo o especialista, após as eleições de outubro, os caminhos para a economia brasileira podem ser tão divergentes que não vale a pena discutir cenários específicos. "Temos que ver como o próximo governo vai lidar com a situação fiscal. O Lula pode continuar e mudar, um governo novo pode entrar e não mudar. Vai bagunçar tudo, já vai ser outro Brasil", explicou Kanczuk.

Ele destacou que, dependendo das decisões do próximo governo, o dólar pode oscilar entre R$ 4,50 e R$ 6 ou 7. "Não é instantâneo, mas é desse tipo de diferença que estamos falando", alertou.

Dívida pública e o quadro fiscal como fatores-chave

Kanczuk aponta que o que separa esses cenários tão díspares é a dívida pública e o quadro fiscal brasileiro como um todo. A dívida pública bruta atingiu 93% do PIB em dezembro, nível que só havia sido alcançado no auge da pandemia, em 2020. Além disso, as contas do governo federal completaram o décimo ano no vermelho dos últimos onze, com apenas 2022 registrando um superávit orçamentário desde 2014.

"Fala-se tanto que os juros estão altos, mas desde o início dos anos 2000 pelo menos o fiscal também não era tão ruim", comentou o ex-diretor do BC.

Riscos de uma crise cambial e a importância das reformas

O excesso de gastos governamentais, além de alimentar o consumo e a inflação, coloca o país em uma encruzilhada perigosa. Kanczuk explica que os investidores ficam mais resistentes a emprestar dinheiro para o governo, e se os juros que remuneram seus títulos caem demais, esse capital pode migrar para outros mercados, potencialmente causando uma crise cambial e gerando mais inflação.

"Se o novo governo que entrar mostrar que vai consertar o fiscal cortar gastos, fazer a nova reforma da previdência e a reforma administrativa, aí o dólar vai ser outro", afirmou. "Mas, se nada mudar, ele pode ir para até 7 reais sem muita dificuldade. O nosso arcabouço fiscal, do jeito que está, não para de pé, e é explosivo".

Em resumo, Kanczuk enfatiza que a estabilidade econômica no Brasil depende crucialmente das decisões fiscais que serão tomadas após as eleições, com impactos diretos na taxa de câmbio e na inflação.

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