Dólar em alta: entenda os fatores que movem a moeda e o impacto no Brasil
Dólar em alta: fatores que movem a moeda e impacto no Brasil

Dólar em alta: entenda os fatores que movem a moeda e o impacto no Brasil

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (31) com atenção voltada para o cenário interno e externo, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, prepara-se para abrir às 10h. A moeda norte-americana opera em alta, refletindo uma combinação de tensões geopolíticas e expectativas econômicas que moldam os mercados globais.

Cenário internacional: tensão no Oriente Médio impulsiona petróleo

No cenário internacional, a sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que aceitaria encerrar a guerra no Irã mesmo com o Estreito de Ormuz fechado, conforme reportado pelo jornal The Wall Street Journal, trouxe algum alívio às bolsas globais e ajudou a impulsionar os preços do petróleo. No entanto, a tensão permanece elevada na região.

O Irã atacou um petroleiro próximo a Dubai nesta terça-feira, mesmo após Trump ter afirmado que os EUA poderiam destruir usinas de energia iranianas caso o país não avance em um acordo de paz. Com esse cenário, os preços do petróleo operam em alta significativa. Por volta das 9h (horário de Brasília), o barril do Brent subia 2,8%, atingindo US$ 116, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 1,4%, a US$ 104,34.

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A região do Estreito de Ormuz é considerada vital para o comércio global de energia, com cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passando por essa passagem marítima estratégica. O receio é que o conflito provoque uma alta mais persistente dos preços de energia, pressionando a inflação e aumentando o risco de desaceleração econômica em várias partes do mundo.

Agenda econômica dos EUA e Brasil

Ainda nos Estados Unidos, os investidores aguardam a divulgação do relatório JOLTS, que traz o número de vagas de trabalho abertas no país. A expectativa é de que o indicador mostre cerca de 6,9 milhões de postos disponíveis em fevereiro. Também ao longo do dia, o país divulgará dados sobre os estoques de petróleo, fatores que podem influenciar ainda mais os mercados.

No Brasil, a agenda inclui os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A expectativa do mercado é de que tenham sido criadas cerca de 270 mil novas vagas formais de trabalho em fevereiro, um indicador crucial para avaliar a saúde da economia nacional.

Boletim Focus: inflação em alta e projeções para o dólar

Analistas do mercado financeiro voltaram a elevar a estimativa para a inflação no Brasil em 2026, conforme o boletim Focus, relatório divulgado semanalmente pelo Banco Central. A revisão ocorre em meio à alta do preço do petróleo no mercado internacional, que pode pressionar a inflação brasileira, principalmente por meio do aumento no custo dos combustíveis.

O mercado passou a prever que a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), termine o ano em 4,31%, acima dos 4,17% projetados na semana anterior. Esse foi o terceiro aumento consecutivo na estimativa para o indicador. Para a taxa Selic, a previsão foi mantida em 12,5% ao ano no fim de 2026, com expectativa de queda ao longo do próximo ano.

No caso da atividade econômica, houve um ajuste pequeno na estimativa de crescimento do país, com a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passando de 1,84% para 1,85% em 2026. Para o dólar, o mercado não fez mudanças nas projeções, estimando que a moeda norte-americana encerre 2026 em R$ 5,40 e 2027 em R$ 5,45.

Mercados globais: recuperação com cautela

Investidores continuam atentos ao conflito no Oriente Médio e aos possíveis efeitos sobre a economia global. A principal preocupação é que a guerra provoque uma alta prolongada nos preços da energia, o que tende a pressionar a inflação e pode reduzir o ritmo de crescimento econômico em diversos países.

Apesar desse cenário de cautela, os principais índices de Wall Street, nos EUA, registravam ganhos nesta segunda-feira, após quedas acentuadas na sessão anterior. O Dow Jones subia 0,48%, para 45.382,83 pontos, enquanto o S&P 500 ganhava 0,32%, a 6.389,31 pontos, e o Nasdaq tinha alta de 0,19%, para 20.987,88 pontos.

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Na Europa, as bolsas fecharam em alta, em sinal de recuperação das fortes perdas da semana passada. Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 1,61%, a 10.127,96 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,88%, a 22.496,90 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,92%, a 7.772,45 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 1,02%, a 43.823,24 pontos.

Na Ásia, os mercados encerraram o pregão sem direção única, com o índice de Xangai subindo 0,2%, enquanto o CSI300 recuou 0,2%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,8%, e em Tóquio, o Nikkei registrou queda de 2,8%, refletindo preocupações com o acesso ao Estreito de Ormuz e seu impacto no abastecimento de energia.

Em resumo, o dólar opera em alta influenciado por uma combinação de fatores, incluindo tensões geopolíticas no Oriente Médio, altas no preço do petróleo e expectativas econômicas tanto nos EUA quanto no Brasil. Os investidores permanecem cautelosos, monitorando de perto os desenvolvimentos que podem afetar a inflação e o crescimento global.