Dólar cai 1,42% após declaração de Trump sobre guerra no Irã; petróleo dispara
Dólar cai após Trump dizer que guerra no Irã está encerrada

Dólar registra queda significativa após declarações de Trump sobre conflito no Irã

O dólar fechou em queda de 1,42% nesta segunda-feira (9), cotado a R$ 5,165, no Brasil. A movimentação ocorreu após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar que a guerra contra o Irã está praticamente encerrada. O pregão foi marcado por alta volatilidade, com forte impacto das cotações do petróleo, que ultrapassaram o patamar de US$ 100 e atingiram o maior valor desde 2022.

Bolsa de Valores encerra em alta impulsionada pelo setor petrolífero

A Bolsa de Valores brasileira (B3) encerrou o dia com alta de 0,86%, a 180.915 pontos, beneficiada pelo desempenho do setor petrolífero. As ações da Petrobras se valorizaram mais de 2%, sendo os destaques do pregão. Empresas como a Prio também registraram avanços, com alta de 0,52%.

Em entrevista à CBS, Trump declarou: Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm marinha, não têm comunicações, não têm força aérea. Mais cedo, ele havia expressado insatisfação com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, anunciada no domingo (8).

Conflito no Oriente Médio intensifica pressões no mercado de energia

A nomeação de Mojtaba Khamenei, considerado de perfil mais linha-dura, reforçou expectativas de um conflito prolongado, conforme análise de Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX. Horas após o anúncio, o Irã atacou a instalação petrolífera de Al Ma'ameer, no Bahrein, causando incêndio e danos materiais. No mesmo dia, Israel realizou bombardeios contra tanques de petróleo no Irã.

O petróleo chegou a disparar quase 30% nesta segunda-feira, na maior variação diária desde 1988, aproximando-se de US$ 120 por barril. Na máxima do pregão, às 23h30 de domingo, a commodity foi cotada a US$ 119,46 (R$ 626,14), o maior valor desde 29 de junho de 2022.

Impactos globais e fatores que influenciam o real

No exterior, a aversão ao risco afetou índices globais. O Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em queda de 0,61%. Nos Estados Unidos, os índices subiram: Nasdaq avançou 1,38%, Dow Jones 0,50% e S&P 500 0,89%.

O real se valorizou ante o dólar, impulsionado pela alta da Petrobras e do setor energético brasileiro. O Brasil é um dos poucos exportadores relevantes de petróleo sem envolvimento direto na disputa, o que pode favorecer fluxos de divisas, segundo Bezzon. Além disso, o diferencial de juros entre Brasil e EUA continua positivo, incentivando operações de carry trade, onde investidores aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas.

Na sexta-feira, o dólar perdeu força com a divulgação do relatório payroll dos EUA, que reforçou expectativas de desaceleração econômica e cortes de juros pelo Fed. O boletim Focus desta segunda mostrou economistas elevando a previsão da taxa de juros brasileira para 2026.

Contexto geopolítico e riscos no fornecimento de petróleo

O Irã responde por 3% da produção global de petróleo, mas exerce influência significativa devido à sua posição estratégica no estreito de Hormuz. O conflito no Oriente Médio não mostra sinais de arrefecimento, aumentando preocupações com interrupções no fornecimento de petróleo na região do Golfo.

O estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e GNL mundial, está virtualmente fechado. Trump afirmou na semana passada que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros, mas a Guarda Revolucionária do Irã contestou, declarando controle total sobre a passagem. O Qatar suspendeu a produção de gás natural liquefeito, representando cerca de 20% da oferta global, levando ao fechamento preventivo de instalações na região.