Dólar recua após declaração de Trump sobre Irã; mercado avalia blefe e guerra no Oriente Médio
Dólar cai após fala de Trump sobre Irã; mercado vê blefe

Dólar fecha em queda após declaração bombástica de Trump sobre o Irã

O mercado financeiro brasileiro operou com relativa estabilidade nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, mas com os olhos voltados para os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O dólar comercial encerrou o dia em baixa, cotado a 5,13 reais, enquanto o principal índice da bolsa de valores, o Ibovespa, teve uma leve valorização de 0,06%, fechando em 188,1 mil pontos.

Fala de Trump é interpretada como blefe previsível pelo mercado

No cenário internacional, o foco permanece no conflito bélico entre Estados Unidos e Irã. Após ambos os países negarem a possibilidade de um cessar-fogo, o presidente norte-americano Donald Trump usou sua rede social Truth Social para fazer uma declaração impactante. Ele afirmou que o Irã poderia ser "dizimado" em uma única noite, sugerindo que isso poderia acontecer já na terça-feira seguinte.

No entanto, analistas do mercado financeiro não se surpreenderam com a postagem. Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, explicou que a fala foi interpretada como um blefe previsível. "O mercado já está acostumado com esse tipo de retórica e não reagiu de forma alarmista", comentou o especialista.

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Guerra no Oriente Médio mantém pressão sobre o petróleo e a inflação

Apesar da aparente calma nas bolsas, a continuação do conflito no Oriente Médio segue exercendo pressão sobre os preços do petróleo. O barril de petróleo brent continua sendo negociado acima dos 100 dólares, um patamar elevado que contribui para aumentar as pressões inflacionárias em todo o mundo.

Um dos fatores que agrava a situação é o bloqueio no Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial por onde escoa aproximadamente 20% do óleo e gás transportados por navios em nível global. A interrupção do tráfego nessa região mantém a oferta restrita e os preços em alta.

Expectativas de inflação no Brasil são elevadas pela quarta vez consecutiva

No cenário doméstico, o Boletim Focus semanal, divulgado pelo Banco Central, elevou pela quarta vez seguida as projeções para a inflação em 2026. A expectativa subiu de 4,31% para 4,36%, refletindo os impactos da disparada de cerca de 30% no preço do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio.

Essa alta nas projeções inflacionárias preocupa economistas e investidores, pois pode influenciar as decisões de política monetária e afetar o poder de compra da população.

Bancos apresentam desempenho misto no pregão

Entre as ações de peso que compõem o Ibovespa, os bancos tiveram um desempenho variado durante a sessão:

  • Bradesco (BBDC4): registrou alta de 1,10%
  • Itaú (ITUB4): avançou 0,44%
  • Banco do Brasil (BBAS3): subiu 0,17%
  • Santander (SANB11): foi a exceção, com desvalorização de 0,54%

Esses movimentos refletem a cautela dos investidores diante do cenário geopolítico tenso, mas também mostram resiliência em alguns setores do mercado financeiro brasileiro.

O programa Mercado destacou em sua análise que os fatos internacionais continuam mexendo diretamente no bolso do brasileiro, com a guerra no Oriente Médio servindo como pano de fundo para as oscilações nos preços das commodities e nos índices financeiros.

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