Cesta básica tem queda leve em Araraquara, mas impacto no bolso do consumidor é limitado
Cesta básica tem queda leve em Araraquara, mas impacto é limitado

Cesta básica registra queda leve em Araraquara, mas alívio no bolso do consumidor ainda é pequeno

O custo da cesta básica em Araraquara apresentou uma redução modesta de 0,36% em fevereiro de 2026, segundo pesquisa do Núcleo de Economia do Sincomercio. O valor médio passou de R$ 1.059,41 para R$ 1.055,58, representando uma economia de apenas R$ 3,83 para os consumidores. Apesar da queda pontual, o cenário permanece desafiador, com variações significativas entre os produtos que compõem a cesta, especialmente nos alimentos, que continuam a impactar fortemente o orçamento das famílias araraquarenses.

Comportamento heterogêneo dos preços acende sinal de alerta

A análise dos grupos que formam a cesta básica revela um panorama misto. Enquanto os setores de alimentação e higiene pessoal registraram quedas de 0,40% e 0,52%, respectivamente, os produtos de limpeza doméstica tiveram alta de 0,42%. Entre os itens individuais, as maiores elevações foram observadas na batata, com aumento expressivo de 20,7%, seguida pelo detergente líquido (+8,1%) e pelo feijão carioca (+6,5%). Ovos brancos e sabão em barra também subiram, com altas de 5,2% e 4,6%.

Por outro lado, alguns produtos apresentaram reduções significativas. O alho liderou as quedas com recuo de 7,2%, acompanhado pelo açúcar refinado (-6,9%), sabonete (-6,7%), frango (-4,9%) e farinha de trigo (-3,7%). Esta disparidade nos preços demonstra a volatilidade do mercado e a necessidade de atenção constante por parte dos consumidores.

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Fatores climáticos e de produção influenciam preços

A batata, item que mais subiu no período, foi impactada pela menor oferta nas regiões produtoras devido às chuvas intensas, especialmente no Cerrado Mineiro, conforme análise do Hortifrúti/Cepea. Já o feijão carioca, que atingiu patamares históricos na série do Cepea/CNA, reflete problemas na colheita em Minas Gerais e Goiás, além da redução na oferta de produtos de maior qualidade.

Na contramão, o frango ajudou a conter o avanço geral da cesta básica, registrando queda. Segundo o Cepea/ESALQ-USP, este recuo está relacionado à perda de poder de compra dos avicultores frente aos custos de produção elevados, além do comportamento do mercado interno e das exportações.

Inflação acumulada mostra tendência de alta

No acumulado de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, a cesta básica em Araraquara subiu 0,68%, equivalente a R$ 7,17. Esta alta foi puxada principalmente pelos alimentos (+0,76%) e pelos itens de higiene pessoal (+1,18%), enquanto os produtos de limpeza registraram queda de 1,13%. Destaque negativo para o café torrado e moído, que acumulou alta de 70,8%, e para o creme dental, com aumento de 39,63%.

Em 12 meses, contudo, a cesta básica acumulou queda de 1,22% (R$ 13,02), impulsionada principalmente pela redução nos alimentos (-2,43%). Os grupos de higiene pessoal (+6,06%) e limpeza doméstica (+2,17%), no entanto, apresentaram alta no período.

Impacto no salário-mínimo e comparação nacional

Mesmo com a leve queda registrada em fevereiro, o custo da cesta básica ainda compromete cerca de 65,1% do salário-mínimo vigente de R$ 1.621,00. Isso significa que um trabalhador precisa dedicar, em média, mais de 143 horas de trabalho para adquirir os itens essenciais. Embora este percentual seja 5,3 pontos percentuais inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando a cesta representava 70,4% da renda, o peso sobre o orçamento familiar permanece significativo.

No cenário nacional, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em parceria com a Conab, mostrou que o custo subiu em 14 das 27 capitais pesquisadas em fevereiro de 2026. Natal (+3,52%), João Pessoa (+2,03%) e Recife (+1,98%) lideraram as altas. O feijão foi o item que mais subiu na maioria das cidades, enquanto a carne bovina de primeira registrou aumento em 20 capitais, devido à menor disponibilidade de animais prontos para abate e ao bom desempenho das exportações.

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Análise especializada reforça necessidade de monitoramento

Para Maria Clara Kirsch, economista do Sincomercio Araraquara, "o comportamento da cesta básica reforça a importância do acompanhamento contínuo dos preços e dos fatores que influenciam o consumo, como clima, poder de compra e volatilidade dos itens essenciais". A especialista destaca que, apesar da leve queda mensal, a situação exige atenção constante dos consumidores e das autoridades, uma vez que os itens básicos continuam representando parcela significativa da renda familiar.

Os dados de inflação nacional corroboram este cenário complexo. Em fevereiro de 2026, o subgrupo Alimentação no domicílio do IPCA-15, divulgado pelo IBGE, registrou alta de 0,09%, enquanto os subgrupos de Artigos de limpeza e Higiene pessoal apresentaram variações positivas de 0,53% e 0,91%, respectivamente.