Azul finaliza processo de recuperação judicial nos Estados Unidos após reestruturação financeira
A companhia aérea Azul informou, na noite desta sexta-feira (20), que concluiu com sucesso o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. O procedimento, iniciado em maio de 2025, visava reorganizar as dívidas da empresa e alcançar uma transformação abrangente em seu balanço e operações.
Em nota oficial, a Azul destacou que atingiu seus principais objetivos, incluindo o fortalecimento do balanço patrimonial, a melhoria da liquidez e a redução significativa das despesas com arrendamentos e passivos. A conclusão do processo já era aguardada pelo governo brasileiro, que demonstra otimismo com o momento do setor aéreo nacional.
Impacto no mercado e reação das ações
As ações da Azul apresentaram uma performance excepcional no pregão desta sexta-feira, chegando a subir mais de 50% durante a sessão e encerrando o dia com uma valorização de 60%. Os papéis foram negociados a R$ 230,28 por lote de 1 milhão de ações, refletindo a confiança do mercado na recuperação da empresa.
No entanto, na véspera do anúncio, as ações haviam caído 36,27% após a aprovação de uma emissão bilionária de novos papéis para financiar o processo de recuperação judicial. Essa volatilidade ilustra os altos e baixos enfrentados pela companhia durante a reestruturação.
Investimentos estratégicos e redução da dívida
Como parte dos acordos para levantar recursos, a Azul recebeu um investimento de R$ 550 milhões da parceria estratégica com a United Airlines. Além disso, a empresa assinou com a American Airlines um compromisso de investimento adicional do mesmo valor, que ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A companhia também captou mais de R$ 7,5 bilhões em novos títulos de dívida para facilitar a saída do processo de recuperação. Antes de iniciar o pedido de reestruturação, a Azul possuía uma dívida bruta de aproximadamente R$ 35 bilhões e uma alavancagem de 5,2 vezes, números que foram substancialmente reduzidos com as medidas adotadas.
Mudanças operacionais e contexto do setor aéreo
A frota da Azul ao final do processo é de cerca de 170 aeronaves, uma redução em comparação com as 184 aviões operacionais no fim do primeiro trimestre, pouco antes do pedido de recuperação nos EUA. A empresa agora opera em 130 cidades do Brasil, ante uma malha anterior que incluía aproximadamente 160 destinos.
O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), já havia indicado em evento no dia 10 de fevereiro que esperava o fim do processo dentro de 30 dias, demonstrando o entusiasmo do governo com a recuperação da Azul. Após Latam e Gol, a Azul foi a última das principais companhias aéreas brasileiras a aderir a um processo de recuperação judicial.
Antes de solicitar a reestruturação financeira nos Estados Unidos, a Azul chegou a discutir uma fusão com a Gol, processo que foi suspenso há alguns meses em meio ao foco da empresa no plano de recuperação. A conclusão do Chapter 11 marca um novo capítulo para a Azul, que busca consolidar sua posição no competitivo mercado aéreo brasileiro.



