Pesquisa revela que 48% dos brasileiros acreditam que economia piorou nos últimos 12 meses
48% dos brasileiros acham que economia piorou, diz pesquisa

Percepção negativa da economia contrasta com indicadores positivos no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Quaest e divulgada nesta quarta-feira (11) revela um cenário preocupante na percepção dos brasileiros sobre a situação econômica do país. Segundo o levantamento, quase metade da população, especificamente 48%, avalia que a economia piorou nos últimos doze meses. Em contrapartida, apenas 24% enxergam melhora, enquanto 30% não percebem mudanças significativas.

Descompasso entre dados macroeconômicos e humor da população

Este resultado é particularmente intrigante quando confrontado com indicadores econômicos recentes que apontam para melhorias. O desemprego, por exemplo, encontra-se no menor nível da série histórica, a renda média atinge recordes e a inflação apresenta comportamento mais controlado. No entanto, a sensação predominante entre os cidadãos é de deterioração econômica.

Economistas consultados pelo Radar Econômico associam esse descompasso ao impacto direto da taxa Selic, mantida em 15% ao ano pelo Banco Central. Esta política monetária restritiva afeta profundamente o crédito disponível para famílias e empresas, reduz o consumo e aumenta o custo de vida, criando uma realidade financeira mais difícil para o brasileiro comum.

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Banco Central mantém postura cautelosa com "serenidade"

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou recentemente a necessidade de "serenidade" na condução da política monetária. Segundo suas declarações, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aguardar 45 dias antes de iniciar um novo ciclo de redução de juros busca maior confiança diante de um ambiente repleto de "diversas fontes de incerteza".

"A palavra-chave é serenidade", afirmou Galípolo, referindo-se especialmente ao calendário eleitoral que agrava as incertezas econômicas. No mercado financeiro, esta mensagem foi interpretada como sinal de que eventuais reduções da taxa básica de juros ocorrerão de maneira gradual e cuidadosa ao longo de 2026.

Mercado financeiro segue em direção oposta ao pessimismo popular

Curiosamente, enquanto a população demonstra pessimismo em relação à economia, o mercado financeiro brasileiro segue trajetória oposta. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, avançou 2,03% nesta quarta-feira, fechando aos 189.699 pontos. Este movimento representa o 11º recorde histórico em 2026, com o índice rompendo pela primeira vez, durante o pregão, a marca psicológica dos 190 mil pontos.

Este desempenho positivo é atribuído ao fortalecimento do fluxo estrangeiro para mercados emergentes, impulsionado por dados positivos de emprego nos Estados Unidos. No mercado cambial, o dólar acompanhou o movimento e recuou 0,18%, encerrando o dia a R$ 5,18 — o menor nível observado desde maio de 2024.

A divergência entre a percepção popular negativa e os indicadores positivos tanto no mercado financeiro quanto em alguns dados macroeconômicos cria um cenário complexo para a economia brasileira. Especialistas alertam que, apesar dos números favoráveis em certas áreas, o impacto direto das altas taxas de juros no cotidiano das famíbras continua sendo um fator determinante na avaliação que os brasileiros fazem da situação econômica nacional.

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