Recinto de exposições de Poloni é demolido para dar lugar a pátio de veículos
Recinto de Poloni demolido para pátio de veículos

O recinto de exposições de Poloni (SP), que por quatro décadas foi palco de rodeios, festas e eventos comunitários, foi demolido para dar lugar a um pátio destinado aos veículos da frota municipal. A obra, iniciada no começo da gestão da prefeita Andréia Brait (PSD), já foi alvo de questionamento no Ministério Público.

Investigação arquivada pelo MP

No início de 2025, a Promotoria de Monte Aprazível investigou uma denúncia de suspeita de improbidade administrativa relacionada à demolição e à destinação dos materiais da estrutura. No entanto, a denúncia foi arquivada após respostas da prefeitura. O principal argumento é que o antigo recinto não era tombado como patrimônio histórico-cultural do município. "O único local de Poloni classificado como patrimônio histórico é a Praça da Matriz. O antigo recinto não era", afirmou a prefeita ao g1.

Abandono e decisão de demolir

Segundo Andréia Brait, o local estava abandonado há pelo menos 12 anos e passou a ser frequentado por usuários de drogas, o que reforçou a decisão de desativar a estrutura. A administração municipal informou que obteve autorização jurídica para a demolição.

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Novo pátio para veículos

No mesmo terreno, a prefeita determinou a construção de um pátio para abrigar os veículos municipais. A obra, iniciada logo após a demolição, deve ser concluída em até cinco meses. A nova área contará com almoxarifado e alojamento para servidores municipais.

Reações da comunidade

O empresário do ramo sertanejo Daniel Pereira expressou "muita tristeza" com o fim do espaço, que considera parte da identidade local. "Era um patrimônio cultural construído por idealistas, com trabalho voluntário e recursos próprios. Não se justifica o fechamento de espaços que compõem a memória histórica do município", disse. Frequentador desde a infância, Pereira lembrou que o local recebeu o Troféu Arena de Ouro em 2010, considerado o "Oscar" do setor de rodeios.

O recinto, que levava o nome de José Passos, avô do ex-prefeito Antonio José Passos, também era utilizado para bailes da terceira idade, casamentos, aniversários, leilões de gado e cavalgadas. O ex-prefeito afirmou que ficou chateado com a destinação dada ao antigo recinto sem que a família recebesse qualquer comunicação da prefeitura. "Eu prefiro ficar quieto, sofrer no meu canto, calado", comentou.

Uma moradora, que preferiu não se identificar, disse que a destruição do espaço causou indignação. "Era algo que fazia parte da vida da cidade. A gente tinha um vínculo afetivo com aquele espaço", afirmou.

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