A paixão pela natureza surgiu naturalmente na vida dos irmãos gêmeos Afonso Carlos dos Santos e Luiz Alberto dos Santos, moradores de Pompéu, em Minas Gerais. Desde crianças, incentivados por familiares que apreciavam a vida no campo, eles exploravam o Cerrado e assistiam a documentários sobre vida selvagem, como os narrados por David Attenborough.
Trajetória de dedicação
Aos 27 anos, os gêmeos comemoram 15 anos de observação de aves na cidade e 10 anos como guias locais. O hobby se transformou em estilo de vida e profissão. Durante a adolescência, trabalharam como serventes de pedreiro e venderam materiais recicláveis para comprar o primeiro equipamento fotográfico, após quatro anos de esforço.
Impacto econômico e turístico
O trabalho da dupla é admirado no birdwatching nacional e internacional, colocando Pompéu em evidência. Em 2024, a atividade gerou cerca de R$ 152 mil para o município, considerando gastos com comércio, restaurantes, hotelaria e combustíveis. Em 2025, mais de cem observadores visitaram a cidade, sendo 37 estrangeiros de países como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Suécia e Panamá, além de 96 brasileiros de vários estados.
Descobertas de espécies raras
Os irmãos já registraram 392 espécies de aves em Pompéu, contra 81 documentadas em 2015. Entre os achados mais emblemáticos estão a codorna-mineira (Nothura minor) e a sanã-de-cara-ruiva (Laterallus xenopterus), espécies ameaçadas do Cerrado. A maxalalagá (Micropygia schomburgkii), o turu-turu (Neocrex erythrops) e o mineirinho (Charitospiza eucosma) também atraem observadores do mundo todo. Recentemente, novas espécies como o mocho-dos-banhados e o periquito-da-caatinga entraram na lista.
Apelo pela conservação
Apesar do entusiasmo, os gêmeos alertam para a devastação do Cerrado em Pompéu, que já perdeu mais de 60% das áreas que visitavam. Eles defendem a criação de Unidades de Conservação para proteger a fauna, a flora e as nascentes. “Mostramos que o Cerrado vivo gera renda, mas precisamos de apoio para que nosso trabalho não seja em vão”, destaca Luiz.



