A cheia do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, já atinge mais de 23 mil pessoas, conforme balanço da Defesa Civil Municipal divulgado nesta quarta-feira (29). O manancial marcou 13,97 metros na medição do dia e continua subindo pelo quarto dia consecutivo. No domingo (26), o rio transbordou pela quinta vez em quatro meses.
Situação dos afetados
De acordo com a Defesa Civil, 16 famílias foram levadas para abrigos montados em escolas, enquanto outras seis estão desalojadas na casa de parentes. Ao todo, 5.936 famílias foram impactadas, distribuídas em 11 bairros, 15 comunidades rurais e 4 vilas. As famílias desabrigadas começaram a ser retiradas de casa na terça-feira (28).
Além disso, ao menos 323 famílias tiveram o fornecimento de energia elétrica interrompido como medida de segurança para evitar acidentes nas áreas alagadas. Os rios Juruá Mirim, Valparaíso, Liberdade e Campinas também estão cheios.
Abrigos municipais
A prefeitura montou abrigos em cinco escolas. Veja a ocupação atual:
- Escola Padre Arnold: 5 famílias (15 pessoas)
- Escola Corazita Negreiros: 1 família (6 pessoas)
- Escola Thaumaturgo Azevedo: nenhuma família
- Escola Marcelino Champagnat: nenhuma família
- Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker: 10 famílias (69 pessoas)
No bairro Miritizal, famílias indígenas são monitoradas. Conforme a Defesa Civil, mais de 100 pessoas (13 famílias) podem ser levadas para abrigo, se necessário.
Riscos e alertas
O Corpo de Bombeiros alerta para riscos durante a cheia, como a presença de animais peçonhentos nas residências e aumento de acidentes, especialmente com crianças em áreas alagadas. Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre fim de fevereiro e início de março, mas há registros também ao longo de abril.
Transbordamento anterior
O quinto transbordamento do Rio Juruá ocorre após uma vazante que permitiu o retorno de famílias desabrigadas para casa no dia 8 deste mês. O pico da cheia anterior foi em 3 de abril, quando o rio atingiu 14,10 metros e afetou mais de 28 mil pessoas (7.087 famílias) em 12 bairros urbanos, 15 comunidades rurais e três vilas. Na ocasião, 60 famílias foram para abrigos e três para casas de parentes. Houve alagamentos, retirada de moradores, suspensão de energia e interrupção no abastecimento de água potável.
Decreto de emergência
Devido às cheias, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios: Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado em 5 de abril e reconhecida pelo governo federal em 14 de abril. O decreto cita emergência de nível 2, com rios em situação de alerta ou transbordamento.



