Preço do suíno vivo cai até 20% em SP, mas carcaça sobe 10,8% em fevereiro de 2026
Suíno vivo cai 20% em SP, mas carcaça sobe 10,8% em fevereiro

Queda de 20% no preço do suíno vivo em fevereiro de 2026 preocupa setor no interior de São Paulo

Os preços médios do suíno vivo registraram quedas expressivas de até 20% em fevereiro de 2026 nas principais regiões produtoras do interior de São Paulo, incluindo a cidade de Piracicaba. Este movimento de baixa nas cotações pode ser explicado principalmente pela redução na procura da indústria por lotes de animais no mercado independente, conforme análise divulgada nesta quarta-feira (4) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba.

Desvalorização significativa e impacto no mercado

O suíno vivo foi negociado à média de R$ 6,91 o quilo em fevereiro deste ano, representando uma queda de mais de 16% em relação ao mês anterior, quando o animal era cotado em R$ 8,24 o quilo na praça SP-5, que abrange Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. Na comparação com fevereiro de 2025, quando o produto era vendido a R$ 8,66 por quilo, a desvalorização alcança impressionantes 20%.

Paradoxalmente, enquanto o suíno vivo registrava essa forte desvalorização, o preço da carcaça suína apresentou elevação de 10,8% na comparação com janeiro, passando para R$ 13,20 o quilo. Esta discrepância entre os preços do animal vivo e da carcaça processada indica um cenário complexo no mercado suinícola brasileiro.

Conflito no Oriente Médio gera preocupações no setor

Os pesquisadores do Cepea alertam que o mês de março deve deixar os agentes do setor ainda mais atentos aos recuos nos preços, devido ao conflito no Oriente Médio. "Agentes do setor consultados pelo Cepea estão atentos ao conflito no Oriente Médio, envolvendo principalmente o Irã e que pode se alastrar para outros países", explica a análise.

Embora a região do Oriente Médio não seja um destino importante da carne suína brasileira, principalmente por questões religiosas, o fechamento de canais de escoamento estratégicos e o consequente aumento nos valores dos fretes e seguros marítimos têm gerado preocupações significativas, sobretudo entre os exportadores do setor.

Contexto histórico e perspectivas futuras

O relatório do Cepea também faz um retrospecto do segundo semestre de 2025, quando os preços do suíno vivo apresentaram comportamento mais firme. Em setembro daquele ano, o valor médio do animal atingiu R$ 9,25 o quilo, o maior patamar de 2025. Este cenário favorável aos suinocultores foi influenciado pelas recentes fortes desvalorizações do farelo de soja.

Em agosto de 2025, os preços do suíno vivo e da carne de porco mantiveram altas desde o fim do primeiro semestre, contrariando o cenário típico de recuos para esse período do ano. "O mercado independente do suíno vivo foi favorecido pela demanda aquecida, típica no começo do mês e que ajudou a impulsionar as cotações", observa o Cepea.

Os indicadores regionais do Suíno Vivo Mensal Cepea/Esalq fecharam em agosto de 2025 com as seguintes médias:

  • R$ 8,57 em Minas Gerais
  • R$ 8,27 no Paraná
  • R$ 8,15 no Rio Grande do Sul
  • R$ 8,19 em Santa Catarina
  • R$ 8,76 em São Paulo

Os pesquisadores concluem que a demanda por carne suína esteve bastante elevada em agosto de 2025, levando a aumentos nas cotações da maior parte dos produtos suinícolas no período, um contraste marcante com a situação atual de fevereiro de 2026.