Produção de soja brasileira deve alcançar novo recorde histórico em 2026
A produção brasileira de soja está projetada para estabelecer um novo marco histórico no ano de 2026, consolidando o país como um gigante global do agronegócio. Com as chuvas dando trégua em diversas regiões, as máquinas agrícolas adentram as lavouras em um movimento coordenado para garantir a eficiência da colheita.
Mutirão familiar acelera trabalho no campo
Em Santa Helena de Goiás, a família Mota organizou um verdadeiro mutirão para otimizar o processo de colheita. "Nós estamos aqui, irmãos e primos. Nós juntamos oito colhedoras nessa área para poder fazer esse serviço de excelência, de colher a nossa lavoura o mais rápido possível", relata o produtor rural Ricardo Mota, destacando o esforço conjunto que caracteriza muitos empreendimentos agrícolas familiares no Brasil.
Ritmo desigual da colheita pelo país
O avanço da colheita, no entanto, não ocorre de forma uniforme em todas as regiões produtoras. Isso se deve, primeiramente, à necessidade de a soja atingir o ponto ideal de maturação. Muitas lavouras ainda se encontram na fase de enchimento dos grãos, um período crucial para o desenvolvimento da cultura.
Mesmo quando a planta apresenta suas folhas amarelas, sinalizando prontidão para a colheita, os produtores observam um critério adicional fundamental: os grãos não podem estar úmidos. A umidade excessiva pode comprometer a qualidade do produto e inviabilizar o armazenamento, exigindo paciência e precisão dos agricultores.
Dados da Conab apontam para safra recorde
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aproximadamente 25% das lavouras de soja do país já foram colhidas. No mesmo período do ano anterior, 2025, esse índice era de cerca de 30%, indicando um leve atraso, mas sem prejuízo para as projeções gerais.
A estimativa oficial da Conab é de uma safra recorde de 177 milhões de toneladas, representando um aumento de quase 4% em relação à safra passada. Este crescimento robusto reforça a capacidade produtiva do setor.
Impactos econômicos da maior produção de soja
Leonardo Machado, analista de mercado agrícola, explica os efeitos em cadeia desta produção elevada: "Mais soja é, principalmente, internamente, mais farelo de soja e mais óleo de soja. O óleo de soja é a base do biocombustível. E aí você tem uma produção maior de biocombustível, que é favorável aos preços, principalmente refletindo no transporte".
Ele complementa: "No farelo, a gente vai para a alimentação animal: aves, suínos, bovinos. Ou seja, transforma o custo de produção desse pecuarista em um custo menor. Isso vai chegar diretamente na mesa da dona de casa". Assim, o benefício da safra recorde se estende desde o campo até o consumidor final.
Produtividade supera expectativas em Goiás
No município de Bela Vista de Goiás, o produtor rural Alberto de Castro cultiva 1,1 mil hectares de soja. Os resultados preliminares têm sido extremamente positivos, superando as expectativas iniciais.
"Nós já estamos esperando 85 sacas por hectare, que é bem acima da média e com uma produção muito boa. Se pegar um preço um pouquinho melhor, salvou a lavoura de novo", comemora Castro, refletindo o otimismo que permeia o setor diante das boas perspectivas de produtividade e rentabilidade.
Este cenário promissor para a soja brasileira em 2026 não apenas fortalece a balança comercial do país, mas também evidencia a resiliência e a capacidade de inovação dos produtores rurais, que enfrentam desafios climáticos e de mercado para manter o Brasil na liderança mundial do agronegócio.