Porto Alegre: Pontos turísticos ainda exibem cicatrizes da enchente histórica de 2024
Cicatrizes da enchente de 2024 ainda marcam pontos turísticos de Porto Alegre

Dois anos depois, marcas da enchente histórica ainda assombram o principal cartão-postal de Porto Alegre

Quase 24 meses se passaram desde a enchente catastrófica que submergiu partes significativas do Rio Grande do Sul, mas o principal ponto turístico de Porto Alegre continua exibindo as cicatrizes profundas da tragédia. As icônicas passarelas sobre o Lago Guaíba, outrora vibrantes com a vida urbana, permanecem interditadas há mais de seis meses, transformando um símbolo da cidade em um cartão-postal parado no tempo.

Prioridades na reconstrução e os desafios orçamentários

A prefeitura municipal identificou danos estruturais extensos causados pelas águas e bloqueou o acesso público por questões de segurança. Com um orçamento estimado em R$ 7 milhões apenas para a manutenção dessas estruturas, a previsão é que os trabalhos se estendam até 2027. "A enchente afetou a cidade como um todo, inundando 30% do território e causando um impacto de prejuízo público calculado em R$ 12 bilhões", explica Germano Bremm, secretário do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre.

Bremm detalha a estratégia de recuperação: "A escolha foi priorizar a reconstrução das escolas, das unidades básicas de saúde e dos equipamentos de assistência social. Naturalmente, os equipamentos de lazer ficaram para uma fase posterior". Essa decisão reflete a magnitude do desastre e a necessidade de alocar recursos limitados onde são mais urgentes.

Cenário atual: tapumes, marcas e a lenta retomada

O local que antes abrigava bares e restaurantes movimentados, ponto de encontro dos porto-alegrenses, agora está cercado por tapumes. Essas barreiras protegem a população que ainda circula na área da fiação elétrica exposta no interior. Nas paredes, as marcas da enchente permanecem visíveis, registrando o nível da água que ultrapassou 1 metro de altura.

Contudo, há sinais de esperança. Na área onde as pessoas resgatadas desembarcavam, bares e restaurantes começaram a ser reformados. O prefeito Sebastião Melo afirma: "Não tem dinheiro para tudo ao mesmo tempo, mas nós vamos entregar aqui nos próximos 6, 7, 8 meses; esta obra aqui vai estar pronta". A revitalização completa da orla está orçada em aproximadamente R$ 40 milhões, reunindo recursos municipais, federais e empréstimos.

Progressos em outras regiões e adaptações dos comerciantes

Enquanto o coração turístico aguarda, outras áreas da cidade mostram avanços. Na Zona Sul, os calçadões de Ipanema e do Lami estão quase prontos para receber o público. No trecho destinado ao esporte, estabelecimentos reformados em dezembro de 2025 já estão reabrindo suas portas.

Guilherme Sotero, sócio-proprietário de um restaurante, compartilha a experiência difícil: "A gente ficou aí 1 ano e 8 meses sem entrar nenhum real, é complicado". Ele revela as adaptações necessárias: "As tomadas são mais altas, os quadros de luz são mais altos; tudo hoje fica numa altura mais elevada justamente para tentar evitar que a água chegue ali e estrague". Essas mudanças são testemunhas silenciosas de um esforço coletivo para se prevenir contra futuras tragédias, enquanto a cidade lentamente se ergue das águas que a submergiram.